terça-feira, 15 de maio de 2012

Cupido





Eu vi quando você me viu,
seus olhos pousaram nos meus num arrepio sutil
Eu vi,
pois é, eu reparei!
você me tirou pra dançar sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão,
sem música pra acompanhar.

Foi só por um segundo, todo o tempo do mundo,
e o mundo todo se perdeu

Eu vi quando você me viu,
seus olhos buscaram nos meus o mesmo pecado febril
Eu vi, pois é, eu reparei,
você me tirou todo o ar pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu, foi só você e eu.

Foi só por um segundo, todo o tempo do mundo, e o mundo todo se perdeu
Foi só por um segundo, todo o tempo do mundo, e o mundo todo se perdeu ...

Ficou só você e eu.

(Quando você me viu)

Canta: Maria Rita







Sutileza do enlevo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Gato


O Gato
Adaptação de Marconi Basílio e de Tetê Macambira
Texto adaptado de “O Gato Sou eu”, de Fermando Sabino
- Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu!

Insônia

Calor da tarde bem calibrado. Almoço simples, mas farto: feijão com charque, arroz ao alho e óleo, farofa de cuscuz com frango e batatas douradas. Comi e tive que repetir. Como eu disse: simples e farto.

Inevitável o rápido descanso ter se transformado em uma boa dormida - perdi a tarde toda.

Resultado? insônia.

E o que fazer com a insônia? viva os tempos modernos cibernéticos! nada como postar sobre isso em um blogue - e todo e qualquer outro insone poderá não mais sentir-se só.. poque saberá que há outros como ele... em todo canto deste planetinha outrora azul.

terça-feira, 17 de abril de 2012

pluvial




Amanhecendo.
Chuva molhando o tempo.
Ideias úmidas.

Hora de trabalhar a melancolia.



(Tetê Macambira, em 17 abril 2012)

domingo, 25 de março de 2012

Maria Bonita


Visitas me fazem agir:
           gosto de alimentar,
                         acariciar,
                         à vontade deixar.


Ela me vem  encolhida, 
            vontade de falar
            vento nos curtos cabelos
            veludo de voz visita.


Olha sorrindo,
         parecendo gostar
         indagando porquês
         ficando relax.


Levanta-se, 
                    lava louça,
      dança,
              faz confissões,
             deita-se na rede,
              senta-se no chão,
      caminha sobre os tons de Elis,
   deixa-se seduzir por meu tempero.
Sorri.


E desabafa.
              Não chora.
                       E tergiversa sobre outros assuntos.
                                          Ri.


Ouvir a risada de Gleucimaria Bonita em minha casa
é como se os sinos de Natal badalassem 
      [ em mais-que-perfeita harmonia
(mesmo que fora de época).


E sorrio, por minha vez.


(Tetê Macambira , em 29 de dezembro de 2004)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

(Sem Título)








doendo mais do que o imaginado 

rua deserta, chão molhado

meu momento blues inopinado


(Tetê Macambira, 29 de fevereiro de 2012)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sorriso preguiça


Sorrir, apesar de tudo.
Sorrir, apesar de ti.

Sorrir, apesar de mim.
- mas um sorriso descansado
relaxado, sossegado,
tranquilo e harmonizado
de quem passou todo o feriado de finados
a dormitar serenamente e só em sua casita toda ajornalada
com comidas e bebericagens à Maria Bonita
e uma rede baixa, listrada, preguiçosa  e lavada
que embalou silenciosa e delicadamente tantos cochilos
tantos ressonares e tantos espreguiçares.

Isso é que foi feriado.
feriei-me do mundo e de todos - inclusive de mim.

(Tetê Macambira)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

eu



Perdoem-me. Estou a pensar.
Não é um processo doloroso, garanto-vos.
Apenas.... uma pausa reflexiva.

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(Tetê Macambira)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Saladinha d'eu


Pronto.
Agora, bagunçou geral.

Pode pôr tudo, tudinho mesmo cá dentro:
essa mixórdia confusa
- sou eu.

Eu, uma salada de vivas emoções.

(Tetê Macambira)