domingo, 15 de abril de 2007

Juventude


Muita gente me diz que a juventude de hoje não quer nada, não tem mais ânimo, não tem mais "aquela coisa" que se tinha há 20 anos atrás, nem vê a luz no final do túnel. Isso é verdade. Mas não é a regra geral.

Conheço muitos jovens que querem fazer a diferença, que são pessoas que têm cabeça pensante e que desejam, sim, modificar as coisas que acham estar erradas. Ainda sobrevive uma juventude que dá uma vontade danada de crer que o futuro poderá ser melhor, bem melhor .

Talvez no dia que eu deixar de crer nisso talvez seja o dia que eu deixe de existir como ser humano. Por que se desacreditarmos totalmente dos nossos jovens, o que nos restará ? Somente nos sentarmos e esperarmos a morte chegar.

Na realidade, a nova geração não é tão idealista ou tão ignorantes no tocante aos fatos reais da vida quanto nós éramos. É uma geração que questiona, pondera e não usa lentes cor-de-rosa. Se isso os amadurece muito rapidamente e os faz perder o élan, só uns 20 anos a mais nos dirá.

Anos 80. O nosso idealismo de butique gótica dos darks não deu certo, tampouco o espírito competitivo e vaidoso dos precursores de "Mauricinhos" e "Patricinhas", os yuppies. A rebeldia escrachada de punks, menos ainda. Conversamos demais e nos afogamos em música pop, nos remexemos com Legião Urbana e outras bandas, nos sacolejamos em modismos e fizemos tribos herméticas, quase impenetráveis. A diferença foi a aceitação do homossexualismo e das diferenças como saldo positivo.

Por favor, não falemos no saldo negativo, sim?

Mas essa geração de hoje... Está, sim, antenada com a realidade e não pensa apenas em protestar. Pensa no que ele ou ela pode fazer. Se vão fazer?... Tomara.

Falou-se tanto em igualdade nos anos 70, mas hoje se critica a globalização. Cantou-se tanto "Imagine", de John Lennon, com o verso: "[Imagine] que não há países" e hoje quer se questionar o patriotismo.

Idealismo é bom. Mas é apenas uma semente da ação. Exigir do governo é bom. Mas fazer o que se pode é melhor ainda.

O que esta juventude de hoje parece querer dizer em suas ações é: "Aprendemos com as falhas de nossos pais e avós. Não estamos querendo que os outros façam o impossível. Queremos fazer o que for possível para nós mesmos fazermos." Eu estou errada?

Sinceramente, espero que não. Senão, vou buscar meu pijama e sentar na varanda logo. Quem sabe assim, a morte me encontre mais rápido.

2 comentários:

Debbie Alves disse...

A minha geração sucks geral... Kkkk (q triste).Vou ali chorar no cantinho...

laisa disse...

A minha foto com o Felipe ta representando bem esse seu texto.Vc escreve bem Macambira!
T+
~xD~~