terça-feira, 24 de abril de 2007

Teci sozinha o meu linho




Teci sozinha o meu linho,
semeei só minha horta
e só, vou pôr lenha no monte,

e só, vejo-a arder no lar.

Nem na fonte, nem no prado,

assim morra com meu fardo,

ela não há de vir-me erguer
nem na terra me deitar.

Que tristeza! O vento zoa,
canta o grilo o seu compasso...

Ferve a panela.. meu caldo

sozinha o hei de cear.
Cala, rola; os teus arrulhos
ânsias de morrer me dão.
Cala, grilo, que se cantas

sinto negra solidão.

Meu companheiro perdeu-se,

ninguém sabe aonde vai...

Andorinha que passaste
com ele as ondas do mar,

Andorinha, voa, voa,

vem dizer-me onde ele está.

(Rosalía de Castro, 1837 - Santiago de Compostela / 1885, Padrón (Espanha))
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Vocês já pegaram aqueles pacotes de pequenos móveis para montar com instruções tipo "Faça você mesmo"?

Parece facinho, não é?... tipo assim: em vinte minutos tudo estará montado e limpo!

Bem, surpresa! não é bem assim.

Primeiro, você se descabela, depois você se cansa, no fim, você está toda machucada de tanto ter brigado com os parafusos duros e buracos bem menores e cabos de chaves de fendas duríssimos... Frustração total. O resultado? algo que não se parece em nada com a fotografia colorida da caixa (mas como é que é mesmo que eles colocaram tantas pecinhas lá naquela caixa desse tamanhinho???!?) nem com a peça em exposição (puxa! por que não agarrei a peça que já estava pronta?!). Enfim, lembra um castelo de cartas... pronto a despencar a qualquer momento.

Quer saber?... isso cansa. E olha que adoro quebra-cabeças! Telefono para o Bem-querer para desejar-lhe boa noite. Ele estranha minha voz. Nada não... cansadinha... (e frustrada demais). A mesa...é, montei. (ficou uma droga,,mas euzinha montei! - ou quase montei) Quinta a gente se vê? Bom. Heim??? (anjos existem!). Tu vens aqui ajeitar a minha mesa?! (iupi! hurrah!!! iurruuuuu!!!). Tá. Já que insistes.... Tudo bem. (ggghi... ele não é fofo?)


Saltitando feito gazela liberta vou à estante e pego o livro "Os mais belos poemas de amor", coletânea de Walmir Ayala, pela Ediouro. Abro a esmo. Encontro o poema acima.


Ironia do destino? vai-se saber!

Entretanto, achei por bem postá-lo aqui. Talvez um lembrete para que amemos mais as pessoas que estão próximas; não esperemos que elas se afastem para começar a amá-las.

2 comentários:

Debbie Alves disse...

Pra certas coisas só o nosso amor... Especialmente qdo ele é um homem!!Pq eles são bons com ferramentas e nós não?! :P

Tetê Macambira / Papel de Arte disse...

pq eles tinham q ter alguma utilidade, né?... =P ... omo diria minha amiga Debbie, estou a me queixar de barriga cheia!