segunda-feira, 30 de abril de 2007

Lembrança de Morrer




Lembrança de Morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao deobre de um sineiro;

Como o desterrro de minh'alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a vedade santa e nua,
Verei cristalizar-se osonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- Foi poeta - sonhou - e amou na vida.-

Sombras do vale, noites da montanha
Que minh'alma antou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa!


Álvares de Azevedo, poeta romântico brasileiro,
morreu vítima da tuberculose - a tísica - antes de completar vinte e um anos.
Talvez a tuberculose tenha agravado o estado de pessimismo
no nosso poeta de tendências byronianas,
mas o fato é que até hoje seus poemas são lidos com certo fervor e devoção,
caracterizando-o como um dos mais mórbidos poetas da nossa literatura.
Infelizmente, poucas pessoas conhecem sua obra na íntegra,
apenas cultivando-o por poemas como o que está aqui transcrito.
Mas nosso jovem bardo também compôs poemas de caráter satírico
nos quais ele criticava - inclusive - os excessos do byronismo.
Paradoxal? Então leia a peça teatral "Macário".


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Stephen King escreveu, em "Sombras da Noite", um conto - cujo título eu não me lembro em absoluto - que se assemelhava ao livro "Decamerão", obviamente sem as contações de histórias. É um grupo de jovens fugindo, num futuro não muito distante, de uma nova praga. Um deles comenta que era estranho, pois todos achavam que a humanidade acabaria com a terra, mas estava sendo dizimada por um vírus. A curiosidade vai crescendo e o leitor fica se perguntando que nova praga seria essa. Não mais a Peste Negra, ou seja, a Febre Bubônica, mas... que seria?... O tal vírus é colocado como um número, quem tivesse pego o número tal, não pegaria o vírus número outro, que este sim, era fatal. E, tal como em Decamerão, eles saem de cidade em cidade, tentando driblar o vírus...da GRIPE.

-GRIPE?!?... como assim???... - dirá o meu leitor inconformado e incréu - só uma gripezinha?

Gripezinha?... gente! menos. Dor de cabeça tonitroante, corpo todo machucado e se maldizendo, tosse dolorida (sim! os pulmões se fazem sentir também), nariz entupido, "cansaço" respiratório, febre, espirros, mal-estar generalizado, dor de barriga.... Têm certeza que uma gripe hoje em dia pode ser chamada só de uma "gripezinha"?!

Quiçá Stephen King não esteja correto e a humanidade não termine graças a um supervírus de uma supergripe que nenhum superhomem conseguirá derrubar com um supermurro.

Na realidade, este post foi só para constatar o meu estado de saúde... precário.

Agora, com licença, que meus dedos também doem e minha cama reclama a minha presença urgente urgentíssima .

Ah, sim! agora deu para entender porque escolhi o poema de Álvares de Azevedo para hoje?
=P . Detalhe: a tuberculose tem voltado a atacar, observem as propagandas da TV Cultura.




Licença, dona gripe!


A gripe me pegou. Ainda anteontem, 39ºC de febre. Pleno verão equatorial quase, eu tremia de meias, moletom, e blusa de mangas comrpidas, lençol. Caramba!

Resultado? fim-de-semana totalmente de molho. Fim de domingo, melhoro. Claro! tenho que trabalhar amanhã... =/

Cleydson Catarina, brincante, ator, mamulengeiro, compositor, saltimbanco, músico, diretor, poeta; artista. Idealizador e um dos fundadores do "Ministério do Recital dos Cavaleiros da Dama Pobreza", que depois se transformou em "Recital dos Cavaleiros da Dama Pobreza", agora deve ser "Cavaleiros da Dama Pobreza". A próxima mudança de nomenclatura ou será para "Cavaleiros" ou "Dama Pobreza".

Bem, apesar da brincadeira com o nome do grupo, Cleydson é uma pessoa sempre bem-vinda. Ele não me veio, mas me ligou. Entre tosses e rouquidões, conversamos sobre apresentações que estão ocorrendo na terrinha, filmes, músicas e.. (lógico!) peças de teatro. Cleydson tem uma paixão pelo medievalismo cristão. Mas não o da Inquisição. E sim o da fé. E me questionou sobre Inês de Castro.

Não tive como resistir. A última postagem é a resposta para Cleydosn Catarina. que não seja minha a culpa por ele não ter podido montar um espetáculo digno de si mesmo e para a alegria dos espectadores.

Paz e bem.

"Agora é tarde, Inês é morta!"



O dito popular: "Agora é tarde, Inês é morta!" designa que não há mais o que fazer, não há mais como desculpar-se, pois que o tempo disso já passou.

Poucos sabem, mas essa frase se refere a um passado de Portugal. Ao Rei Dom Pedro I de Portugal (o nosso dom Pedro I em Portugal, era IV) e às suas primeiras núpcias.

Provavelmente nasceu em 1320 a menina a que deram o nome de Inês de Castro, uma filha natural de Pedro Fernández de Castro e de Aldonza Soares de Valladares. Desde pequenina, foi levada ao castelo de Peñafiel, onde viveu em companhia de Constanza Manuel.

Apresentados os dados iniciais, vamos à história: Alfonso IV, rei de Portugal, decidiu que chegara a hora de seu filho mais velho, Pedro, contrair matrimônio. E como soía acontecer nas famílias reais, o casamento era mais uma forma de firmarem-se alianças que de propriamente um ato de amor. Podemos até imaginar o diálogo nos dias de hoje:

- Pedro, meu filho, está na hora de te casares.

- Ihhh... que é isso, pai?... sai dessa!

- Não, meu filho. Como és meu príncipe e herdeiro, tens que asumir logo as atribuições do trono.

- Mas não amo ninguém, pai!

- E quem te disse que um rei tem direito a amar? Apenas te casarás com aquela que melhor for para o nosso reino.

- Humpf! fazer o quê?... se é o jeito...

- É sim. Vai-te logo acostumando com a idéia.

Dom Alfonso fechou contrato com a famĺlia de Constanza e esta foi a Portugal. Acompanhada de sua dama, Inês de Castro. após uma longa viagem, chegaram ao palácio de Portugal. Dom Pedro esperava a comitiva. Quando as damas desembarcaram, ele se apaixonou perdidamente... pela dama de companhia, Inês de Castro. Com o casamento firmado, foi ter as benditas núpcias com a esposa. Mas, a partir do dia seguinte, começou a perseguir e a cortejar de todas as formas possíveis... Inês. e tanto fez, e tanto insistiu, e (dizem) tão charmoso era, que ela não teve como resistir... acabou por ceder, também flechada pelo cupido.

Entregaram-se às delícias de seu amor proibido. Pedro a colocou na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, onde ela era rainha e dona do coração dele. Enquanto isso, no palácio, Constanza, que também se apaixonara pelo príncipe, morria à míngua. Inanição. Deitara-se na cama após o nascimento de Fernando, filho e herdeiro e, como o marido não a procurava mais, deixou-se morrer lentamente.

Passaram-se alguns anos e Inês teve com Pedro vários filhos: Beatriz, João e Dionísio. Viviam em harmonia invejável. Dom Alfonso se preocupava: Inês era natural e filha de Castela; não poderia deixar o reino de Portugal para a prole dela. Chamou seu filho Pedro e novamente propôs que ele se casasse. Ao que ele respondeu:

- Com prazer, meu pai. Contanto que seja com Inês de Castro.
De nada adiantou o pai apontar as desvantagens políticas e sociais do casamento com a ex-dama de companhia da ex-mulher dele, Pedro se mostrou irredutível. Só se casaria se fosse com Inês de Castro. Percebendo que não conseguiria nada em apelar para o bom senso do filho, Dom Alfonso o enviou em uma missão para longe de Portugal. Mal o filho saía da cidade, o rei, ouvindo seus conselheiros, resolveu mandar matar Inês de Castro. Com ela longe da vista do filho, este aceitaria um novo matrimônio.

Foram três os cavaleiros - Gonçalves, Coelho e Pacheco - que se dirigiram à Coimbra a fim de executar a jovem bela, de corpo esbelto e olhos claros e tranqüilos, e colo "de cisne" - como diziam os portugueses. Ao chegarem lá, dom Alfonso apeou do cavalo e foi ter com a jovem. Ela defendeu-se tão doce e verdadeiramente que o rei desarmou-se. Voltando aos outros cavaleiros, fez como Pilatos: lavou as mãos e entregou a justiça aos outros. Que, rapidamente, se precipitaram sobre a jovem mãe cercada de seus três filhos, o mais novo ainda de colo e a mataram.

Quando Pedro retornou e viu apenas um dos seus filhos sobrevivendo e, devido à brutalidade presenciada, nunca pôde ser considerado normal, entrou em desespero. Para maior desespero do pai, ainda repetia que se casaria apenas se fosse com Inês de Castro. "Mas ela está morta!" - reclamava o rei e o pai. Pedro calava-se e permaneceu mudo por mais alguns anos até que o pai morreu em 1357. E, como diz o ditado, "Rei morto, rei posto".

Mal Dom Pedro foi coroado rei, mandou exumar o corpo de Inês, mandou limpar ossinho por ossinho, mandou ligar todo o esqueleto de sua amada. Fez com que o casassem com ela. A única rainha morta da história; a que foi coroada depois de morta. E, reza a lenda, Pedro ainda exigiu que todos da corte viessem beijar a mão descarnada e render homenagem à rainha Inês.

Dizem ainda que dom Pedro não conseguia mais dormir, pois, que cada vez que pegava no sono, vinha-lhe a imagem de Inês a lhe lamentar: "Se estivesses perto de mim, eu não teria morrido. Por que tiveste que te afastar de mim?". Ele acordava gritando e saía pelas ruas de Portugal a fazer festa ou.. ia para as masmorras fazer justiça.

Sim, porque desde que fora coroado rei, ele mandara prender nas masmorras os executores de sua rainha. E sempre que descia a fim de torturá-los mais um pouco, eles gritavam por clemência:

- Perdão, el-rei! perdão, el-rei!
Ao que Dom Pedro respondia, invariavelmente:

- Agora é tarde; Inês é morta.

Apesar de tudo, Dom Pedro I ficou conhecido como o "Justiceiro" e amado pelo seu povo, pois sempre que podia nas questões jurídicas, fazia valer a lei para o lado dos mais pobres. Dizem, também, que dom Pedro nunca mais se deitou com nenhuma outra mulher e permaneceu fiel a Inês até o dia de sua morte. Ele mandara construir um mausoléu para a rainha, no monastério de Santa Maria de Alcobaça, considerada a obra gótica máxima de Portugal. Defronte, mandou construir o prórpio mausoléu... para que, no dia do juízo final, ele primeiro possa rever a sua amada Inês.


Uma história de amor histórica e lendária, da qual já não há mais como separar a lenda do real.


Encontram-se referências a essa história tanto em "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, quanto em "Mensagem", de Fernando Pessoa. Trechos que hoje não vou poder publicá-los aqui, senão meu post vai ficar imenso. Há outros links nos quais se pode pesquisar mais a história de Inês de Castro.

Mas essa história eu a ouvi primeiro da professora de literatura portuguesa da faculdade de letras, Coema. Meus mais profundos agradecimentos à mestra.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Muda boa-tarde


Bom-dia é branquinha e lembra claridade, já a boa-noite é rosa-escura, quase magenta. Para minha surpresa, descobri uma híbrida: a boa-tarde; branca, mas no centro já se tingindo de magenta, como se a flagrassêmos na troca de roupa; ela preparando-se para a noitada. A branca timidez ganhando concupiscências magentas quase rubras escarlates.

Bom-dia, boa-noite e boa-tarde são nomes populares para um arbusto que floresce facilmente em climas quentes e medra rapidinho, rapidinho.

Pois uma plantinha tão singela quase causa furor por onde passei, sobraçando aquele vasinho com a muda recém-comprada. No trabalho, houve longos e namoradores olhares das minhas colegas. Todas - evidente! - sabiam o nome da tal plantinha, embora desconhecessem a variedade mista dela. Mas ao pegar a condução no final da tarde... agradáveis pequenas surpresas me enlanguesceram; tornaram-me crédula da humanidade.

Coletivo de fim-de tarde parece desejar competir com as latas de sardinhas. Ao passar pela catraca, o trocador me segurou - com toda a gentileza possível - minha muda de boa-tarde, que, gentilmente sorriu-lhe em agradecimento (Sim! por que não?... e aquela sombra de sorriso que vislumbrei no rosto dele o que era senão um sorriso em resposta ao mudo agradecimento de minha mudinha? heim? ora, pá!).

Finquei-me ao lado de uma moça que lia uma revista em francês. Quase fiquei com torcicolo a fim de acompanhar-lhe a leitura (está cada vez mais difícil encontrar material atualizado em francês nas bancas; é o monopólio cultur-ARGH-l norteamericanalhado. Nada contra a cultura norte-americana, mas não consigo entender o "monopólio cultural" - se é monopólio, deixa de ser cultura e passa a ser tirania, mas esse é um tópico para outro dia). A moça intelectualizada não percebeu minha muda implorando-lhe socorro . É, porque fica difícil tentar se manter em pé quando o motorista é um Schumacher frustrado, ainda mais segurando bolsa, livros e uma delicada muda silvestre.

Mas... ao lado da nossa intelectual francesa estava um rapaz. Este, ao ouvir o apelo mudo da boa-tarde, praticamente arrancou-ma docemente dos braços e a segurou, não... a envolveu com um ar decidido no rosto que me fez lembrar gravuras antigas de livros de contos de fadas; não era um rapaz com uma muda de boa-tarde, era antes um cavaleiro salvando uma frágil donzela dos dissabores do dragão da multidão. Os cuidados com que ele a segurava enterneceram meu coração empedernido. A moça do banco da frente sacudiu as longas madeixas, ameaçando machucar com sua cabeleira gloriosa os frágeis talos da plantinha. Coisa que não ocorreu porque o salvador da boa-tarde a mudou rápido de posição, pondo-a a salvo, enquanto lançava um olhar preventivo e zangado para a ameaça em potencial logo à frente. Baixei a cabeça para sorrir melhor intimamente.

Desci quase saltitante da condução.

Uma eu refleti: que se o homem hoje não aparenta sensibilidades, não seria porque ele quase nunca é confrontado com algo que o sensibilize?

Cultivar mais plantas e menos sisudez - talvez seja um bom primeiro passo.

Considerem isso um convite a plantar alegrias no seu dia a dia.

Post-scriptum: Neste mesmo instante, minha boa-tarde se orvalha com a chuva desta madrugada e eu posso vê-la à janela do meu gabinete improvisado. E, garanto-lhes, não posso deixar de sorrir. Flores sempre fazem isso comigo: acreditar na beleza da vida.


terça-feira, 24 de abril de 2007

Teci sozinha o meu linho




Teci sozinha o meu linho,
semeei só minha horta
e só, vou pôr lenha no monte,

e só, vejo-a arder no lar.

Nem na fonte, nem no prado,

assim morra com meu fardo,

ela não há de vir-me erguer
nem na terra me deitar.

Que tristeza! O vento zoa,
canta o grilo o seu compasso...

Ferve a panela.. meu caldo

sozinha o hei de cear.
Cala, rola; os teus arrulhos
ânsias de morrer me dão.
Cala, grilo, que se cantas

sinto negra solidão.

Meu companheiro perdeu-se,

ninguém sabe aonde vai...

Andorinha que passaste
com ele as ondas do mar,

Andorinha, voa, voa,

vem dizer-me onde ele está.

(Rosalía de Castro, 1837 - Santiago de Compostela / 1885, Padrón (Espanha))
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Vocês já pegaram aqueles pacotes de pequenos móveis para montar com instruções tipo "Faça você mesmo"?

Parece facinho, não é?... tipo assim: em vinte minutos tudo estará montado e limpo!

Bem, surpresa! não é bem assim.

Primeiro, você se descabela, depois você se cansa, no fim, você está toda machucada de tanto ter brigado com os parafusos duros e buracos bem menores e cabos de chaves de fendas duríssimos... Frustração total. O resultado? algo que não se parece em nada com a fotografia colorida da caixa (mas como é que é mesmo que eles colocaram tantas pecinhas lá naquela caixa desse tamanhinho???!?) nem com a peça em exposição (puxa! por que não agarrei a peça que já estava pronta?!). Enfim, lembra um castelo de cartas... pronto a despencar a qualquer momento.

Quer saber?... isso cansa. E olha que adoro quebra-cabeças! Telefono para o Bem-querer para desejar-lhe boa noite. Ele estranha minha voz. Nada não... cansadinha... (e frustrada demais). A mesa...é, montei. (ficou uma droga,,mas euzinha montei! - ou quase montei) Quinta a gente se vê? Bom. Heim??? (anjos existem!). Tu vens aqui ajeitar a minha mesa?! (iupi! hurrah!!! iurruuuuu!!!). Tá. Já que insistes.... Tudo bem. (ggghi... ele não é fofo?)


Saltitando feito gazela liberta vou à estante e pego o livro "Os mais belos poemas de amor", coletânea de Walmir Ayala, pela Ediouro. Abro a esmo. Encontro o poema acima.


Ironia do destino? vai-se saber!

Entretanto, achei por bem postá-lo aqui. Talvez um lembrete para que amemos mais as pessoas que estão próximas; não esperemos que elas se afastem para começar a amá-las.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vermelho-paixão


Nem sempre nos resolvemos e nos reconhecemos a nós mesmos a partir de pequenas coisas do cotidiano mas, às vezes, temos essa chance... de aprofundarmo-nos em nós mesmos a partir de um detalhe quase insignificante. Marcel Proust não escreveu a sua obra-prima "Em Busca do tempo perdido" depois que saboreou um pedaço de madeleine junto com o chá e essa minúcia lhe trouxe outras recordações que ele já não mais se lembrava! então por que não posso eu tentar me posicionar neste mundo mais definitivamente a partir do momento que elejo a minha cor favorita? Que é, lógico! - a cor Vermelha.



Aniversário

Porque hoje é um dia especial e eu amaria estar ao lado da amiga que completa anos, porque eu sei que eu me divertiria imensidades e que ela também gostaria não só da minha companhia como também a do meu Bem-querer, e a de outros amigos, porque em domingos assim não deveríamos ficar afastados das pessoas que amamos e que merecem muito mais que um simples, fortuito e rápido telefonema, porque eu ainda não me conformei em não termos podido ir lá visitá-la, porque simplesmente o dia de hoje deveria ser feriado, não só porque é o dia do descobrimento do Brasil, mas porque, mais - bem mais! - de 4 séculos depois, a minha amiga nasceu e veio ao mundo para abrilhantá-lo, porque o que hoje realmente merecia era uma turma de amigos reunidos em torno de uma só pessoa: a aniversariante.

Comemorar aniversário é brindar a vida, a amizade e à saúde. É poder espanar de si mesmo a poeira do cotidiano e se dar um dia de prazer e congratulações. É se acordar sabendo que o dia vai ser maravilhoso, porque é o seu aniversário.
É confraternizar, festejar, brincar, se divertir, enfim. Seja do jeito que se deseja, seja do jeito que se puder fazê-lo.

"Mas a vida é uma caixinha de surpresas" - diria aquele ator do Grupo de Comédia Os Melhores do Mundo, em Joseph Klimber (http://www.youtube.com/watch?v=hY0ofoEbBKw). Sim! mas... precisamente neste domingo? não poderia ter sido um outro, pôxa!??..

Aqui vai o meu manifesto de "não gostei": que os fanáticos por futebol não precisem extravasar sua fúria incompreensível nos transeuntes desavisados nos obrigando a nos trancarmos, temerosos, em nossas residências enquanto a torcida futebolística nao regressar, bêbada e trôpega, aos seus próprios lares.

Prisioneiros da circunstância.

Mas nem por isso vou deixar de dizer: Feliz aniversário, amiga!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

"Um Amor para Recordar"


Mandy Moore - A Walk To Remember
Mandy Moore
I'll always remember... it was late afternoon.
It lasted forever, but ended so soon.
Yeah You were all by yourself,
staring up at a dark gray sky,
I was changed.

Chorus
In places no one will find,
all your feelings so deep inside.
(Deep inside)
Was there that I realized that forever was in your
eyes.
The moment I saw you cry.
(The moment that I saw you cry)

It was late in September and I've seen you before.
You were always the cold one
but I was never that sure
you were all by yourself,
staring up at a dark gray sky.
I was changed

Chorusx1

I wanted to hold you.
I wanted to make it go away.
I wanted to know you.
I wanted to make your everything,
All right.

Ill always remember it was late afternoon

Chorusx1

I think I saw you cry
The moment I saw you cry
I wanted to know you, i wanted to know you ....




Mandy Moore - A Walk To Remember (tradução)


Uma caminhada para lembrar


Eu sempre me lembrarei
Era fim de tarde
Durou uma eternidade, mas terminou muito cedo
Você estava sozinho
Olhando para um céu cinza escuro
Eu mudei

Refrão:
Em lugares que ninguém encontrará
Todos os seus sentimentos bem lá no fundo
Foi então que eu percebi que a eternidade estava em
seus olhos
O momento que eu o vi chorar
(O momento que eu o vi chorar)

Era fim de setembro
E eu o vi antes
Você era sempre o frio
Mas eu nunca tinha tanta certeza
Você estava sozinho
Olhando para um céu cinza escuro
Eu mudei

Refrão

Eu queria abraçá-lo
Eu queria fazer isto ir embora
Eu queria conhecê-lo
Eu queria fazer seu tudo
Tudo bem

Eu sempre me lembrarei
Era fim de tarde...

Eu acho que o vi chorar
No momento que eu o vi chorar


http://www.vagalume.com.br


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Sessão da Tarde pura. Mas o público feminino adolescente está adorando. Bem ao bom e velho estilo "Love Story", que virou, à época, mania internacional.
O mais interessante é que não há cenas de sexo explícito nem mesmo beijos de parar o trânsito; nenhuma apelação física.
A ternura e o mais puro dos amores roubam a cena neste filme.
Detalhe: adolescentes estão adorando. Quem achava que os adolescentes só queriam saber de sexo fácil, ou eles estão mudando de idéia ou há ainda alguns adolescentes que mantêm a pureza do espírito ou há um retorno aos padrões vigentes mais antiguinhos. De qualquer modo, como diriam os amerianos: It's amazing!
A atriz principal é bonita, de um jeito latino, tem uma vozinha doce e tendendo ao gospel (pudera! o "pai" da protagponista é pastor), além de passar uma doçura e simplicidade inatas, no filme e nos extras. Enfim, tem tudo para se tornar uma queridinha da América; ela é o retrato da garota perfeita! Tudo o que muitas meninas adorariam ser.
E o amor que sua personagem "ganha" parece vir como um prêmio justo às boas ações da mocinha na trama do filme. O galã, antes um rebelde sem causa, se "ajusta" à sociedade e tudo faz... por ela e para ela.
O protótipo do amor romântico medievalizado: um cavaleiro que defende e honra sua amada, sendo-lhe fiel e respeitador, ao mesmo tempo que pretende atender aos desejos de sua musa, de sua amada.
Se ela aparece mais no filme do que ele, é uma tremenda injustiça. Porque é a mudança que ocorre no rapaz, suas atitudes cavaleirescas, sua devoção que realmente encantam o público. Se não fosse ele, seria mais uma comum história de amor que não deu certo. Ele a amou até o fim e mesmo depois do fim dela.
Quem nunca desejou alguém que lhe dedicasse um amor assim?

Tédio


Tédio
Biquini Cavadão
Sabe esses dias em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama, preferia estar na cama
Um dia, a monotonia tomou conta de mim
É o tédio, cortando os meus programas, esperando o meu
fim
Sentado no meu quarto
O tempo voa   
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Pra livrar-me deste tédio
Vejo um programa que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem, pois pra mim tanto faz
Já tive esse problema, sei que o tédio é sempre assim
Se tudo piorar, não sei do que sou capaz
Sentado no meu quarto
O tempo voa   
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Pra livrar-me deste tédio
Vejo um programa que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem, pois pra mim tanto faz
Já tive esse problema, sei que o tédio é sempre assim
Se tudo piorar, não sei do que sou capaz
Sentado no meu quarto
O tempo voa   
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Pra livrar-me deste tédio
Tédio, não tenho um programa
Tédio, esse é o meu drama
O que corrói é o tédio
Um dia, eu fico sério
Me atiro deste prédio.

http://vagalume.uol.com.br/biquini-cavadao/tedio.html

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Então é isso. Mais uma semana se escoou e o que nos resta? pensar sobre o cíclico, assitir à TV, ir visitar alguns familiares ou ser por eles ou por amigos visitados.

E, caso não se tenha nada para se ocupar o tempo, o TÉDIO chega junto, arruma um cantinho confortável para ele mesmo e se esparrama bem ....  inconvenientemente alheio a qualquer mal-estar quew esteja ocasionando. Nãããão... é você quem tem que se levantar, dar um jeito só seu e expulsar esse folgado marmotoso de sua casa. De preferência, a vassouradas. De uma forma que tão cedo ele não se anime a visitá-lo novamente em sua residência e querendo vir, entrando, se alojando como  se viesse para morar definitivamente.

Tédio é o visitante incômodo que nos espreita a ver se encontra uma brecha para se instalar em nosso lar. E se não se tomar cuidado... vixe!! acaba-se acostumando com a presença inexorável dele, quase como se tivêssemos nascido irmãos siameses.Eu e o meu tédio. Você e o seu tédio. Ele e o seu tédio.E não conjuguemos o "ter tédio" no plural, porque os gramáticos não entendem nada de tédio; tédio não gosta de muita companhia, tédio ama a solidão.

De preferência, o tédio chega e absorve, tal qual um vampiro enérgetico, alguém. Muitas vezes, uns desistem de conviver com ele, indo para além dos jardins da vida, e deixam o tédio sozinho nesta vida, Só e livre para procurar uma nova vítima.

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segunda-feira, 16 de abril de 2007

Odeio manhãs de segundas-feiras




A Noite Do Meu Bem    
Dolores Duran
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem;

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E o abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem;

Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem;

Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo,
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem...

Ah, como esse bem demorou a chegar!
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar
...que eu quero lhe dar!
http://vagalume.uol.com.br/elizeth-cardoso/a-noite-do-meu-bem.html


Sabe aquele soninho o mais gostoso, o das 5 horas da manhã, quando você parece ter encontrado o nirvana através da zzzz-ioga? Acordes que só podem ser entoados por anjos não-caídos ressoam em você e, aí, num máximo grau de pura delícia você se aninha ainda mais na sua caminha aconchegante, agarra seu lençol ou alguém ou algo bem gostoso e confiável ao seu lado e se entrega ao prazer do meio-dormir, que é aquele estado entre dormir e esperando l-e-n-t-a-m-e-n-t-e despertar tão maravilhosamente quanto todas aquelas cenas de filmes já demonstraram; com prazer, volúpia e tranqüilidade.

Mas nããããããooo... no meio desse seu chamego todo, você ouve o barulho mais irritante do mundo: o do despertador. E daqueles que ficam, durante mais de uma hora inteira: tiririm tiririm tiririm tiririm tiririm... Por tudo que é mais sagrado! esse barulhinho irrita até um santo!

Você já deve ter passado no centro comercial da cidade e visto os camelôs vendendo aquelas porcarias de despertadores vagabundos cuja única vantagem é que você pode se dar ao luxo de destruir um por semana - de raiva - e logo em seguida comprar outro porque eles são estupidamente baratos demais, não viu? Pois. Cada vez que passo por um desses vendedores que tenha posicionado estrategicamente seus plastiquinhos coloridos munidos de ponteiros - e trilando!, geralmente uns cinco ou seis, juro para vocês, me dá uma vontade louca de quebrar tudinho. Assim, num pontapé bem dado, ou melhor ainda, puxar o pano para o alto e derrubar todos no chão e sair pisoteando freneticamente aquelas coisas imbecis. Bem no estilo Jesus açoitando os mercadores em frente ao templo. Uma louca alucinada brigando com o tempo em plena meca dos escravos do despertador. Loucura justificada. Um dia ainda faço isso. Só preciso juntar o dinheiro para pagar o prejuízo ao tiozinho da calçada. Mas um dia... ahhh.... vingar-me-ei.

Depois do despertador ter te empurrado p*** da vida para fora da cama, encarar a ducha, tentar racionalizar o que vai se comer, vestir-se (no automático, claro! na noite anterior você já separou toda a roupa para não ir ao trabalho com uma blusa xadrez de verde e marrom acompanhada de uma saia evasê vermelha ou qualquer outra combinação tão simpática quanto), pegar a pasta (obviamente, também com tudo que for necessário já colocado DENTRO da pasta na noite anterior) e sair.

Trânsito de segunda-feira de manhã. Que delícia! todos os motoristas estão amaldiçoando o mundo com buzinas, quase atropelamentos ou - pior - com uma lerdeza insuportável. Seu humor? sorria, fique alto astral! A semana está apenas começando! "O passarinho que madruga é o que pega a melhor minhoca". Humpf!. Quem gosta de minhoca, dizem, é o MacDonald's! ele que madrugue, pois! por que eu?!?...

Três horas depois de ter chegado ao trabalho você começa a acordar. É estranho acordar fora da sua cama, mas fazer o quê? com o tempo, acaba-se acostumando com o mais surreal dos despertares; acordar-se realmente vestido, no trabalho e já tendo trocado palavras (ainda que ininteligíveis) com colegas e outros.

Aos poucos, você se sente vivenciar um pouco daquilo tudo e começa realmente a se agradar do que está fazendo. Participa, inova, brinca, o trabalho nunca foi tão gostoso!

E no fim do dia, você ainda ouve ameaças nada veladas do patrão dizendo que você tem que melhorar de cara, pois a empresa precisa de funcionários felizes em trabalhar lá. Senão...

Típicas manhãs de segundas-feiras. Bem-vindo ao mundo real. Sorria!


domingo, 15 de abril de 2007

Juventude


Muita gente me diz que a juventude de hoje não quer nada, não tem mais ânimo, não tem mais "aquela coisa" que se tinha há 20 anos atrás, nem vê a luz no final do túnel. Isso é verdade. Mas não é a regra geral.

Conheço muitos jovens que querem fazer a diferença, que são pessoas que têm cabeça pensante e que desejam, sim, modificar as coisas que acham estar erradas. Ainda sobrevive uma juventude que dá uma vontade danada de crer que o futuro poderá ser melhor, bem melhor .

Talvez no dia que eu deixar de crer nisso talvez seja o dia que eu deixe de existir como ser humano. Por que se desacreditarmos totalmente dos nossos jovens, o que nos restará ? Somente nos sentarmos e esperarmos a morte chegar.

Na realidade, a nova geração não é tão idealista ou tão ignorantes no tocante aos fatos reais da vida quanto nós éramos. É uma geração que questiona, pondera e não usa lentes cor-de-rosa. Se isso os amadurece muito rapidamente e os faz perder o élan, só uns 20 anos a mais nos dirá.

Anos 80. O nosso idealismo de butique gótica dos darks não deu certo, tampouco o espírito competitivo e vaidoso dos precursores de "Mauricinhos" e "Patricinhas", os yuppies. A rebeldia escrachada de punks, menos ainda. Conversamos demais e nos afogamos em música pop, nos remexemos com Legião Urbana e outras bandas, nos sacolejamos em modismos e fizemos tribos herméticas, quase impenetráveis. A diferença foi a aceitação do homossexualismo e das diferenças como saldo positivo.

Por favor, não falemos no saldo negativo, sim?

Mas essa geração de hoje... Está, sim, antenada com a realidade e não pensa apenas em protestar. Pensa no que ele ou ela pode fazer. Se vão fazer?... Tomara.

Falou-se tanto em igualdade nos anos 70, mas hoje se critica a globalização. Cantou-se tanto "Imagine", de John Lennon, com o verso: "[Imagine] que não há países" e hoje quer se questionar o patriotismo.

Idealismo é bom. Mas é apenas uma semente da ação. Exigir do governo é bom. Mas fazer o que se pode é melhor ainda.

O que esta juventude de hoje parece querer dizer em suas ações é: "Aprendemos com as falhas de nossos pais e avós. Não estamos querendo que os outros façam o impossível. Queremos fazer o que for possível para nós mesmos fazermos." Eu estou errada?

Sinceramente, espero que não. Senão, vou buscar meu pijama e sentar na varanda logo. Quem sabe assim, a morte me encontre mais rápido.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Falando em Vermelho....



Cor favorita: vermelha.

Motivo: linda.

Uso: roupas, sapatos, bolsas, cabelos, lingerie, pequenos objetos de decoração, cenas de filmes de Almodóvar, lençóis de cetim, toalhas de banho, uma parede só para aquecer o ambiente, papel de carta, canetas, BATOM!, flores, um toque, um tudo num quase nada.

Nunca usar: fogões, geladeiras, cor única de decoração, assinar documentos.

O vermelho virou paixão. As coisas parecem ficar melhores quando têm a cor vermelha.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

À Um Estranho da Rua




Roupas são engraçadas. Tem algumas que caem no corpo como se fossem feitas de magia e nos tornam subitamente mais atraentes, mais apetitosas aos olhos alheios e aparecem olhares gulosos de todas as esquinas.


Eu tive um vestido assim: floral, rosa quase avermelhado, um simples chemisiê - sabe? aquela camisona até quase os joelhos, fechado com botões na frente, quase um clássico! Pois. Não sei era o tecido molinho ou a estampa extremamente feminina, mas o fato é que não podia vesti-lo que eu surgia como uma mancha enrubrescida contra o cinza da cidade.

Numa indeterminada tarde, fim da hora do almoço, em pleno centro da cidade.
Eu com meu vestido perigoso. Um estranho me chamou realmente a atenção. Por quê? não sei explicar. Talvez o seu olhar não fosse tão faminto quanto o dos outros, talvez ele não parecesse com o lobo mau, talvez eu tivesse sentido - eu também! - curiosidade acerca dele, talvez ele fosse o meu tipo físico preferido àquela época, talvez... simplesmente tenha sido a magia do vestido e nada possa ser explicado.

Coincidência ou não, enquanto percorria as ruas, cruzamo-nos mais de duas vezes, cruzamos olhares, reconhecemo-nos e seguimos, cada um, seu próprio caminho. Ele era alto, nem gordo nem magro - médio, usava óculos, uma camisa branca por dentro de uma calça social de qualquer uma dessas cores neutras que os homens tanto gostam de usar. Seu perfume ainda resistia ao depois do meio-dia, parecia loção pós-barba. E seu olhar... seu olhar parecia querer me desvendar em apenas um instante. Sim! eu me lembro (sério!) de tudo isso; e ninguém mais do que eu mesma está tão surpresa com isso quanto euzinha. Acontece que minha memória é uma piada de péssimo gosto e lembrar detalhes assim de um desconhecido é, no mínimo, desconcertante. E olha que isso já faz uns dez anos, pôxa!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Por que "poeta maldito'?




Charles Baudelaire - um dos poetas malditos.

Por que seria?... talvez por ter cometido o "mau gosto" de escrever e - horror! - publicar uma poesia como a que está abaixo transcrita?... Confira! observe a descrição minuciosa e nada apaixonada, e a confronte com o final.
Imagine-se passeando com o poeta por um bosque tout à fait charmant (= encantador) quando, de repente....

Uma carniça (tradução de Guilherme de Almeida)
Recorda o objeto vil que vimos, numa quieta,
Linda manhã de doce estio:
Na curva de um caminho uma carniça abjeta
Sobre um leito pedrento e frio.

As pernas para o ar, como uma mulher lasciva,
entre letais transpirações,
Abria de maneira lânguida e ostensiva
Seu ventre a estuar de exalações.

Reverberava o sol sobre aquela torpeza,Para cozê-la a ponto, e para,
Centuplicado, devolver à Natureza
Tudo quanto ela ali juntara.

E o céu olhava do alto a soberba carcaça
Como uma flor se oferecer;
Tão forte era o fedor que sobre a relva crassa
Pensaste até desfalecer.

Zumbiam moscas sobre esse pútrido ventre,
De onde em bandos negros e esquivos
Larvas se escoavam como um grosso líquido entre
Esses trapos de carne, vivos.

Isso tudo ia e vinha, assim como uma vaga,
Ou se espalhava a borbulhar;Diz-se-ia que esse corpo, a uma bafagem vaga,
Vivia a se multiplicar.

E esse mundo fazia a música esquisita
Do vento, ou então de água corrente,
Ou do grão que, mexendo, o joeirador agita
Na joeira, cadenciadamente.

As formas eram já mera ilusão da vista,
Um debuxo que custa a vir.
Sobre a tela esquecida, e que mais tarde o artista
Só de cor consegue concluir.

Entre as rochas, inquieta, uma pobre cadela
Fixava em nós o olhar zangado,
À espera de poder ir retomar àquela
Carcaça pobre o seu bocado.

- E no entanto hás de ser igual a esse monturo,
Igual a esse infeccioso horror,
Astro do meu olhar, sol do meu ser obscuro,
Tu, meu anjo, tu, meu amor!

Sim! tal serás um dia, ó tu, toda graciosa,
Quando, ungida e sacramentada,
Tu fores sob a relva e a floração viçosa
Mofar junto a qualquer ossada.

Dize então, ó beleza! aos vermes roedores
Que de beijos te comerão,
Que eu guardo a forma e a essência ideal dos meus amores
Em plena decomposição!

x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x

Não!!! Peraí!!! alguém pare por aí!

Quer dizer que o sujeito em questão está a passear com uma dama por quem ele arrasta lá a sua asinha e, no meio do caminho não tinha uma pedra, mas uma carcaça podre, fedida, nojenta, asquerosa, podre e carcomida por vermes e ainda disputada por uma vira-lata faminta, e o poeta Charles Baudelaire resolve fazer uma comparação daquela visão horrenda com a dama ao seu lado, lembrando a ela que ela também ficará assim um dia?... é isso?!?... ah, MALDITO!!!

Bem, apesar de parecer isso, é bem mais profundo. Na realidade, ele quer que reflitamos que TODOS nós, inclusive o ser que amamos, um dia viraremos pasto para vermes. E aí? vamos fazer o quê? usufruir a vida? sentarmo-nos e vermos e deixarmos a vida se escorrer para longe de nós? O que deveremos deixar se nada disso será levado?


Agora pareceu óbvia a mensagem, não é? E por que a menção a uma mulher ao seu lado? talvez para escandalizar mais, talvez para lembrar que disso ninguém escapará. Talvez, talvez... Em verdade, trata-se de uma poesia com possibilidades múltiplas e que deve ser relida em vários momentos distintos da vida do indivíduo. Releia-a algum tempo depois. Veja que sensação ela lhe causará. Com o tempo, começa-se a enxergar coisas nas entrelinhas.

Charles Baudelaire, um dos poetas malditos que mais abençoou minhas idéias. O Pai da modernidade. O poeta maldito mais bendito da litereatura francesa.

Que o cemitério Pèra Lachaise seja ainda muito e muito visiado graçs aos seus ilustres moradores, incluindo, óbvio!, Baudelaire. Porque um poeta desse quilate não se enterram as idéias, apenas o corpo, a matéria terrena. Seu nome e suas obraws permaneerão quase que imorredouras.

Bonsooir, Baudelaire.



Vinhovisita
Vivi veio me visitar. Trouxe alegria e vontade de brindar a Dionísio. Vinho, boa conversa, boas lembranças, boas confidências, bom queijo coalho assado na brasa, boa música (flashback dos anos 80), bom papo, bom esquecimento.
A garganta agora está seca. Ou quer água ou quer mais conversa. Conversamos sobre a faculdade, entre um gole de vinho e uma garfada de queijo assado.
Lembrei das vinholadas. Festas improvisadas no centro de humanas da UECE, cuja temática principal seria a de reunir os estudantes em torno de um cara tocando violão e todos bebendo vinho e se confraternizando. Dionísio aprovaria isso, tenho certeza. Quiçá não tenha sido ele a soprar essa idéia nos ouvidos dos ainda imberbes integrantes do Grupo Azul, que praticamente iniciaram essa tradição (hoje desprovida do ideal da confraternização, que pena.. o povinho quer apenas beber, encher a cara e azarar).
Numa dessas, lá da minha época na faculdade, um amigo bebeu demais. Azarou demais. Pegou pesado, com direito a estilete e "me-segura-senão-eu-caio". Eu soube só depois. Só não zoei mais com a cara do cara depois porque quase - quase! - fiquei com dó. Crescemos. Eu o reencontrei anos depois. Casado, pai de quatro filhos, incluindo um contrabando. Responsável. Pai. Marido. Apresentou-me à esposa. Ao dizer o meu nome, os olhos dela brilharam. Ah, é você que é a TM?.... Meu, ela me conhecia!!! anos depois, ele ainda me considerava amiga e falara de mim para a própria esposa! dá para fazer uma idéia do que seja isso? Uma amizade que perdurou anos a fio, graças às lembranças das vinholadas etc? Pena ele , um ano e meio depois do reencontro, ter preferido salvaguardar a moto em detrimento da própria vida. Mas ele sempre fora apaixonado por motos e por velocidade. Aliás, que era um excelente motociclista. Quisera ele tivesse alcançado seu sonho: ter e dirigir uma Harley-davidson. Mas eu o imagino no céu agora, atropelando e encantando anjos e suas liras desafinadas com o ronco poderoso de sua Custer personalizada.

Ah... lembranças que vêm das vinholadas, que me vêm dessa terça roubada de meus afazeres profissionais e domésticos para relembrar amizades tão duradouras quanto o vinho. Amizades tão caras quanto as de Vivi, que vive a alegria de ser feliz, por sua própria conta e risco.

Seria essa a magia do vinho? construir afetividades?

Se for assim, tragam-me , logo!!!, um garrafgão com um canudinho para cada um dos habitantes da terra! Quem sabe, assim. o mundo fosse salvo?

Ah, cogitações... reflexões... Apenas fantasias e espelhos de nossos desejos.

... não é?

terça-feira, 10 de abril de 2007

Pois é, choveu....

Como diria o cearense.. Peeeeeeeeeeense numa sorte danada de "boa"!

Ainda ontem me perguntaram: "Tu já viu esse calor?" . Eu respondi que devia ser chuva. Ao ver a incredulidade estampada no rosto da pessoa que me perguntara, emendei rápido: "Mas pode ser efeito do aquecimento global."

Pronto. Ganhei pontos extras no meu ranking de personalidade antenada com a presente conjuntura sócio-eco-econômica ou seja lá o que mais for. Cá entre nós: Faaaaaaaaaaaaala sério, aí! (ai, saudoso Bussunda!)

Estão achando que o mundo vai se acabar que nem no filme "O Dia Depois de Amanhã"? ... não acredito! não perceberam que aquilo foi uma montagem política de boa vizinhança com os países subdesenvoilvidos, mas de natureza menos devastada? além de apresentar um quadro surreal demais, antecipando alguns vários anos?.... E olha que estou falando de mais do que algumas dezenas de anos.

Bem...

Amanheceu chovendo. Meu guarda-chuva, quebrado. Meu sono funcionando em pleno vapor. Combinação perfeita. Para melhorar, só faltava o ônibus atrasar quinze - eu disse QUINZE - minutos. o tempo que levaria para eu chegar a tempo e a hora de não levar o esporro discreto que levei. Por que foi mesmo que ainda não aprendi a dirigir, não tirei a minha carteira e não comprei o meu fusquinha meia-oito? Ah... lembrei! estava me preocupando em conseguir uma CASA. Tá.

Agora eu tenho uma casa sem garagem e uma vontade imensa de não sair daqui... sem carro. Ah, Desejo! Por que sempre tu vens nos colocar uma nova proposta, um novo horizonte? Até parece que estou correndo atrás do fim do arco--íris, indo em busca de meus desejos.


Enfim! Cheguei atrasada ao trabalho. Caras fechadas para mim. as vontade de gritar: P****! Eu pedi desde o ano passado que vocês me dessem a partir da segunda aula, porque EU dependo de DOIS ônibus para chegar até esta outra cidade! Sou uma boa profissional! Ajudem-me a ser a melhor me dando o que eu pedi: minha disponibilidade de horário a partir das 8h ! isso não é impossível! basta um bocado de boa vontade de vocês! Tem um professor que pega UM SÓ ônibus e tem que chegar a partir da 3ª aula, há um outro que possui moto e carro, e chega só na segunda aula. Por que não eu??? é marcação, é?Mas ....


Que vida é essa, que nos faz ficar infelizes em um dia tão pleno de vida e de chuva?

Blogar ou não blogar, eis a questãoAmante das canetas e dos papéis os mais diversos, acho-me agora no ingrato papel de adúltera; tenho traído o papel com o monitor e a caneta pelo teclado. Mas o tempo urge e as ideias fervilham, elas vêm em tsunamis e em vendavais, ou, às vezes, eu nem sequer as percebo, tão lentas e tranquilas elas se arrastam preguiçosamente para a minha mente entorpecida pelas poluições cotidianas. Em suma: foi-me necessária a traição.

Esta é a minha confissão pública: doravante, enquanto o Simão Dragão (nomenclatura do meu PC) estiver à minha disposição, aqui virei para postar as minhas ideias absurdas, os meus desejos infantis, minhas manias megalômanas, minhas raivas e frustações cotidianas e - lógico! - minhas "sacações" literárias. Meu muro de lamentações particular.