sábado, 6 de outubro de 2007

Estranho Amor - Ele


Ele está devendo horrores ao cartão de crédito e ainda por cima, preocupado com a atual crise depressiva que a sua amada está passando. É, mais uma "depressão básica' - como ela mesma diria. Mas sempre é preocupante. Ele já sabe que nada poderá fazer; nada do que diga ou faça será bom o suficiente. E, pior, a dívida tem que ser paga. Eles não podem ficar sem o cartão de crédito. Como ele vai superar a baixa no mercado de trabalho? Como ele poderá virar esse processo? Como aumentar os rendimentos familiares? Como assegurar o casamento dele? A crise dela certamente melhorará se ele resolver esses problemas materiais primeiro. Afinal, é necessário uma estrutura segura a fim de facilitar a cura de uma depressão. Será a melhor forma para ambos superarem essa baixa financeira e existencial.

Mas ela! ela não quer entender. Reclama de falta de carinho e romantismo (Caracas!!! como poderiam ter romance com cobrador batendo na porta?), pergunta se ele tem outra pessoa (diabos!!! por que toda mulher sempre duvida da fidelidade masculina?.. vá lá! os homens são infiéis... mas não tanto quanto elas adoram pensar que são.), acusa-o de não ter mais o mesmo pique de antes, a mesma animação - mas - pº##@! se ele não a quisesse mais, já tinha dado "tiau"! Simples assim. Responde-lhe toda as dúvidas. Mas mulher não parece entender o que homem diz ou não quer entender. Ou - quem sabe? - quer ouvir uma coisa que não se consegue adivinhar o que seja. E torra a paciência. E enche o saco. E choraminga. E faz biquinho. E faz greve. ... GREVE.

Ele vai ao bar encher a cara para esquecer os problemas. Lá, no bar, .... os amigos, as risadas, o tempo escorre. E ele bebe. Chegando em casa, ela reclama. Passa a chegar mais tarde, quando ela já está dormindo. E bebe mais.

Estranho Amor




Ela foi até à casa dele, como todo santo ou profano fim-de-semana. Era a voz dele, ao telefone, que a fazia decolar rumo aos braços dele, ela cria pia e ardorosamente que os encontraria abertos, unicamente à espera dela.

Vã ilusão. Mal chegava, ele a beijava distraída e rapidamente, por cortesia cavalheiresca, ocupava-se do fardo da sua amiga, como manda o bom "Manual de como ser um Homem Macho - ma non Troppo!" e punha-se a escutá-la nas coisas que ela tinha a dizer. Normal. O carinho, o enlevo e o romance antegozados.... inexistentes.

Realidade. Casais de longa jornada já não precisam mais de rapapés e salamaleques. O amor se torna um companheirismo. Certo. Mas ela ainda não chegara ao pré-morte sexual. Ela PRECISAVA de um maior redemoinho de sensações.

Arranjou um amante, pois.