
A poesia é uma vilã despercebida
Ela ataca sempre, e por todos os lados
e ângulos e graus e possibilidades
- e, muitas vezes, não a percebem.
Aqui, neste exato inexato coletivo flagro-a:
aquela moça de longo vestido em malha bege,
poeticamente combina o vermelho
em suas sandálias e sua imensa bolsa.
Vê-la se levantar nessa displicência
- e elegância
alegra meus olhos.
A missa inteira ouvida pelo rádio
com uma senhora cantando à capela
as músicas da igreja, encantadoramente desafinada,
me faz lembrar o tempo de menina
quando acompanhava minha vó à igreja
- sempre aos domingos.
E a poesia dessas memórias derramam-se em mim.
De novo, as coincidências de cores atacam:
desta vez, uma diagonal viva de rosas -
uma senhora sentada, as calças em rosas
ao pé dela, uma outra senhora rosa total
quase ao lado desta última,
uma blusa choca o rosa,
ao lado, bem assentada,
um rosa desmaia no calor.
Tonalidaddes rosas avizinhando-se ,
fofocando em diagonais matizes
- nítida poesia cromática
invadindo-me os olhos
de tal maneira que as pupilas fogem à rua
Eh!
que pensas que elas viram?
uma estátua viva de rosas vestida!
(..fala sério!..)
Não disse?!?... Eu disse!
A poesia ataca por todo lugar e inesperadamente.
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