domingo, 26 de julho de 2009

Limpeza... (quase) geral






Voltei (finalmente, aleluia!!!) à minha casa. Após 3 meses, o mofo e o bolor irmanaram-se e fizeram sociedade com a oraganozação mundial dos ácaros.

Minha alergia é que me fez sofrer: tive ataques de faringite e de sinusite que noossssa!... Prefiro não comentar. Mas depois de dois dias seguidos de sol (iupi!!!\o/), consegui lavar quase tudo em casa e, a fim de espairecer, vim tentar organizar também (deve ser coisa de algum bicho-carpinteiro que me mordeu, tenho certeza!) um pouco meus escritos que estão espalhados nos dez cantos da net.

As próximas postagens (as que estão sem imagem) são resgates de outros sítios onde eu postara e quase esquecera essas poesias. Portanto, são beeeeem antigas. Mas não há somente poesias; há igualmente ensaios, conto, crônicas, peça teatral inacabada...

Puxa! preciso organizar mais, né?

Bom, para todos nós, uma boa limpeza! Sempre é bom poder organizar ou jogar algo fora... ;)

Auto da Barca do Inferno - Figuras contemporâneas (1ª parte)

Grupo de Teatro do C.J.C. Sem Nome

orgulhosamente apresenta:

Auto da Barca do Inferno
Figuras Contemporâneas

Texto original: Gil Vicente
Adaptação: Tetê Macambira e Grupo Sem Nome
Peça teatral em um ato com seis cenas

Personagem Ator / Atriz
Anja..............................Walderle Yasmin
Diaba.............................. Jéssica Gomes
Playboy ........................ Alexandre Gianni
Boba………………………...............………………….. Jéssica Sol
Pastor ……………………………………….............. Bruno Rafael
Valdirene Kelly ……………………...……….. Rafaela Ferreira
Adevogado ......................... Felipe Farias
Bin Lada.......................... Ailyn Marjorie

Direção: Tetê Macambira
Produção: do próprio grupo
Fortaleza- Ceará, novembro de 2006

Anteato

(Ao fundo, impressão de um lago. Abicadas à beira, duas barcas diametralmente colocadas. Se possível, areia na boca de cena. Luz soturna. Entra a Anja, vestida de branco, mais parece uma neo-hippie que uma delegada do paraíso. Está carregando uma bolsa estampada, da qual escapa pontas de écharpes, incensos, pincéis etc... Ao entrar, a luz vai ficando mais clara, como se dela irradiasse uma luz da manhã. Entra e observa a barca colocada na outra ponta. )

ANJA(falando consigo mesma): Ihhhhhhhhhhhhh... mas que barca mais triste, meu!!! Assim não dá! Olha! (e vira a cabeça para cima como se falasse para alguém superior, mas sem cerimônias) Não pense que vou deixar uma ou outra alma entrar numa canoa quebrada dessa! Se ao menos, fosse a praia de Canoa quebrada, tuuuuuuuuuuuuudo bem! (olha de novo para a barca da outra ponta) Mas, que penúria essa pobre!!! Não, assim não dá! Ainda bem que vim preparada: trouxe flores, fitas, incensos e tintas para que a minha barca seja a maaaaaiiiiiiiiiiiiiiiis linda deste entrementes do lago do destino. (Vira-se ao público) É, porque qualquer um de vocês quando morrer, vai querer encontrar banda, alegria e tudo o mais na hora de selecionar quem vai para o lado dos danados (aponta a barca próxima) e quem vai (se dirigindo à outra barca) à terra abençoada! E quem – de vocês – gostaria de ir ao paraíso numa tranqueira daquelas????... não, não e não! Vamos dar um jeito nisso! (Pára. Entristece-se e vira-se de novo à platéia com pesar na fisionomia) Se bem que são bem poucas as almas que têm alcançado a graça eterna... Estão todos tão acostumados com os mal-feitos que nem sei... Mas (apruma-se, de súbito), vamos aguardar que hoje será melhor!! Hoje pode ser o dia que todos serão salvos!!!
DIABA (entrando, ainda se ajeitando. Ela está vestida para matar: vestido vermelho, meia arrastão, sapato preto de salto alto, boá preto sobre os ombros e ajeita uma tiara vermelha com dois chifres de acetato vermelhos com baterias pisca-pisca inseridos): Iludida! Tá achando que a mamãezinha aqui perdeu o jeito, é?... hahaha!!! Sua boba!!! Todos que vierem hoje serão meus..........meus................... mEEEEEEEEEEEEEEEEUUUUUs! Huhuhuhu!
ANJA (virando-lhe ostensivamente as costas e se dirigindo à sua barca): Já prestou!... De repente, me deu uma vontade louca de acender um incenso! (Chega à sua barca, deposita no chão a sacola e começa a organizar as coisas que trouxe para enfeitar a nau. Acende um incenso. Prolonga esse processo com dedicada atenção e paciência, enquanto a Diaba se anuncia ao público)
DIABA: Vai, vai, tonta duma figa! Santinha do pau oco! Não vai ter mesmo o que fazer o dia todo! (Liga as baterias dos seus chifres) Pooooooodre de fashion esse lance aqui, ó!!! Quem foi que disse que no inferno não se segue a moda? .. Atenção para a diaba de plantão: vestidinho básico vermelho de Pior, sapatinhos incandescentes de (cantarola, imitando o jingle da Eveíza) Torturiza.... e, para completar acessórios da Caloraço!! (requebra-se, deliciada) Isso é que é estar na
moda!! Não sou (fala mais alto e intencionalmente à Anja) como umas e outras, que compram tudinho em pontas de estoque e liquidação..... (cantarola desafinadamente) lá, lá, lá....
ANJA(suspira, aborrecida): Vaidade e ganância são pecados capitais, minha cara. E Preguiça também. Portanto, deixe-me trabalhar na minha barca, sua afetada!
DIABA: Hihihihi.. se queimou, foi, bebé?
ANJA: Sua endiabrada, tome tento que lá vem o primeiro freguês e tá com pinta de ser todo seu....
DIABA: Heim??? Ops! (ao público) Lá vem o primeiro.....

CENA 1
As mesmas e Playboy

(Música incidental: Retrato de Playboy 2, de Gabriel, o Pensador. Entra um playboy vestido com roupas de grife, tentando falar ao celular. Entra desfilando, exibindo-se à platéia. Se possível, paquera com uma ou outra “fã”. Vai até o fim da boca de cena e retorna. Música pára. Ele se dirige à Diaba)

PLAYBOY: Para onde é que vai essa barca, heim?
DIABA: Vai para a terra maldita, e já está de partida.
PLAYBOY: E a senhora vai para lá, é?
DIABA (sedutora): É isso aí. Vamos? (roça-lhe o boá no rosto)
PLAYBOY: Essa sua barca ‘tá bem quebrada, não é?
DIABA (mesmo jogo): Ora!!! O senhor a está vendo do lado de fora. Ali dentro é bem melhor!!!
PLAYBOY: Mas para onde é mesmo que vai, heim???
DIABA (deliciada): Diretamente para o inferno!
PLAYBOY (desvencilha-se da Diaba): Ô terrinha mais sem graça essa sua, heim?
DIABA: Vai ficar me zoando, é?
PLAYBOY: E tem alguém querendo ir nessa banheira?
DIABA: Sabe que eu ‘tô te achando perfeitinho para ir?
PLAYBOY: É você quem ‘tá dizendo...
DIABA (irônica): E por que mesmo espera Vossa Senhoria escapar de ir ao Inferno, posso saber?
PLAYBOY: Tem um monte de gente rezando por mim lá embaixo.
DIABA: Ahhhnn... quer dizer então que você li-te-ral-men-te deita e rola lá embaixo, esperando que rezem por você ao vir para cá? Xiiii.. Pára de enrolar e entra logo aqui; deixa de conversa, playboyzinho!
PLAYBOY: O que é que é? Me inclua fora dessa! ‘Tá pensando que é assim, é?
DIABA: Embarca logo! Foi esse o que você escolheu, portanto, contente-se! Ajoelhou, neguinho? Agora tem que rezar!
PLAYBOY: Não tem nenhuma outra barca por aqui?
DIABA: Não senhor! Você até já me deu o sinal de que viria para cá.
PLAYBOY (espantado): E que sinal foi esse?
DIABA: Ah!... e já esqueceu as armações que aprontou lá por baixo, foi? Sempre se aproveitando da sua posição social e pisando nos mais pobres, é? Pois, filhinho, curtiu!? agora aproveite o que plantou! Entre logo nessa barca que eu já ‘tô perdendo a paciência!
PLAYBOY: Nã-nã-ni-na-não! Peraí. Devagar. Vou praquela outra barca. (Tenta chamar a atenção da Anja) Ei! Ei! EI! Ei, sua hippie! ‘Tá ouvindo não, é sua lesada? Agora foi!!! Aqui só tem incompetente! ‘Tão achando que ‘tão tratando com qualquer um, é? EIIII...! Tu aí, ô de branco! Ei, songa-mouca! Quero entrar nessa barca aí enfeitada! (Dirige-se à barca da Anja) Ei!!! (à parte) Mas que mau gosto, heim??? (à Anja) Oi!
ANJA(desprezando-o): Que é que cê quer, hem?
PLAYBOY: É essa barca aí que vai pro Paraíso, é?
ANJA: Pra que é que cê quer saber?
PLAYBOY: Queria ir pra lá.
ANJA: Disseste bem: Q-U-E-R-I-A-S. Mas não irás. Infelizmente para ti. Felizmente para mim. ‘Tá?
PLAYBOY: Ah, qual foi? Sabe com quem está falando?!? Luís Victor Alcântara DE Lamartine E Belucci. É melhor para você me colocar aí dentro, senão...
ANJA: Senão o quê? Vai contar pro papai, é?... Se liga, meu! Tu morreste e teu nome não vale nada. ‘Tá ligado, maluco?
PLAYBOY: Ô meu!! Dá um jeitinho aí, vai... Olha... (olha para um lado e para o outro enquanto tira a carteira do bolso traseiro da calça).. tenho um bilhete de entrada... (mostra dinheiro)
ANJA: Dinheiro aqui, como teu nome, não vale nada.
PLAYBOY: Mas (mostra os cartões de crédito) tenho outras opções: Visacard, hipercard... tcharans!, Visaelectro e... mastercard!
ANJA: É, mas para entrar no céu, não tem preço.
PLAYBOY: Vem cá, gatinha! Você não ‘tá no seco, não, heim? (tenta agarrar a Anja)
ANJA: Galinhando desse jeito, nem aquela ali (apontando desprezivelmente para a Diaba) vai te querer.
DIABA (ao longe): Que foi, heim?^’Tá falando de mim, né? Se faz de santa mas passa todo o além-vida me criticando!
ANJA: Nada não... (à parte) ô mulherzinha estressada! Deve ser o calor da menopausa. (Ao playboy) Pois, seu Fulano-não-sei-das-quantas- E- etc, trate de tirar o cavalinho da chuva e vá ciscar naquele galinheiro. Vá! Passa!
PLAYBOY: Maior malfeitão! Olhaí!.... (volta cabisbaixo à Diaba)
(Ao ver o Playboy voltando, Diaba dá uma gargalhada triunfal e se ajeita toda para recebê-lo)
DIABA: Deixa para lá aquela tonta... Entra logo aqui, que somos farinha do mesmo saco. Pega logo os remos e chegando lá, serás bem atendido. Entra! (insinua-se)
PLAYBOY: Espera aí! Deixa eu dar uma espiadinha lá embaixo...
DIABA: Ôxi?! E para que isso?
PLAYBOY: É que deixei uma gatinha que eu ‘tava enrolando lá e ela morria por mim..
DIABA: Hahahaha!! Nossa! Que cara mais corno! Hahaha!! Como você é bobo! Acreditou nela, foi?
PLAYBOY: Qual foi? Ela me enviava dez torpedos por dia! Sem falar nos e-mails etc...
DIABA: Tudo mentira que ela só copiava na net e mandava várias cópias aos seus trocentos amantes.... hahaha! ....Bo-bi-nho-!
PLAYBOY: E agora tu vai ficar zoando de mim, é? Cai fora, perua!
DIABA: Ah... meu benzinho, não foi você quem quis a sua vida assim??!... Então! Aproveita!
PLAYBOY(ainda querendo escapulir da sua sina) Não sei, não...
DIABA: Ora! Mal deste o último suspiro e ela já estava toda se derretendo para um outro lá! E outro com menos grana que você. ‘Tá? Meu bem!
PLAYBOY: É, mas tem a minha mulher e eu gostaria de vê-la, ó!
DIABA: Aaahh.. a sua matriz, é? Aquela que disse que se atiraria de ponta cabeça da torre da verdinha, que rezava novenas inteiras? Não sabe você o quanto ela rezou hoje dando GRAÇAS A DEUS por ter se livrado de um encosto feito tu!
PLAYBOY: Mas ela chorou pra caramba!!
DIABA: Ah, mas foi choro de alegria!
PLAYBOY: E o tempo todo que ela ficava se lamuriando, chorando a sorte?
DIABA: A mãe dela era uma ótima atriz e a tua mulher aprendeu tudinho e bem direitinho com ela.
Entra! Entra logo! Pára de enrolar, não sabe você que seu lugar é aqui, pôxa! Sem charme, entra!
PLAYBOY: Parece que é o jeito... É, né?... Entrar aí mesmo. Não tem outra opção.
DIABA: Ah! Até que enfim!Entra logo e dá uma descansada que estou esperando um monte de gente.
PLAYBOY: Mas que calor aqui, heim? Maldito este forno! Que inferno!
DIABA (sorri e começa a chamar mais gente) Olha a barca! Olha a barca! Vamos, que quero ir logo e não tenho o dia todo livre! Minha agenda está lo-ta-da-!


CENA 2
Os mesmos e Boba

(Música incidental: Balada do Louco, por Mutantes. Entra a Boba. Vestida de forma espalhafatosa e estranha; meias de cores diferentes, uma saia sobre a calça, uma blusa desestruturada, nada parece dar certo com nada. Entra mexendo numa matraca e numa corneta azul, vermelha e branca. Ao entrar, brinca consigomesma, maldiz-se, reclama da vida, se possível, pergunta a um ou outro da platéia como vai a vid? O tempo tá bom? Etc... Isso tudo deve demorar apenas uns 3 a 5 minutos. Ela caminha sem rumo, sem apresentar um objetivo principal. A música pára. A Boba se dirige à Diaba, que a observara por todo o tempo com um ar de insatisfação. Quanto à Anja, se divertia com as “marmotas” da Boba.)

BOBA: Oxente! E tem tu aí , é?
DIABA: Quem é você?
BOBA: Sou eu. Essa barcaça é da gente, é?
DIABA: De quem?!?
BOBA: Dos abestados, é?
DIABA: Toda sua. Entra.
BOBA: Pulando ou voando, é?
DIABA: Como quiser. Entra!
BOBA(olhando ao redor): Ôxe, adoeci e morri sozinha, é?
DIABA: Morreu de quê?
BOBA: De disenterícia, sô!
DIABA: De quê?!?...
BOBA: De caganeira, ôxi!!!
DIABA: Entra, põe logo o pezinho aqui!
BOBA(vai colocando o pé, mas hesita): Êêêê.... pra que tanta pressa?
DIABA: Entra logo, senão quando a gente pegar o beco, você vai ficar sozinha aqui que nem quando morreu.
BOBA: Tenha calma aí, minha fia! Pra donde é que a gente vai mermo?
DIABA: Ao porto de Lúcifer
BOBA: Hã..?!?
DIABA: Ao inferno! Entra!
BOBA: Ao inferno!? Pera lá! Barca maldita, barca danada, barca perdida, barca dos endemoninhados! Tomara que vire e nunca volte à tona, tomara que emborque de borco e não mais desvire, tomara que se perca e vá parar nos costados dos infernos! Só quem entra aí é quem tem pareceria com o chifrudo, o tinhoso, o coisa-ruim, o inimigo, o cão, satanás, o sinistro, o errado, o filho abortado do céu, o malfeitor, o anjo negro, o vampiro doidão, o sanguessuga das almas benditas, o cornudo, o sem-jeito! Tomara queime no fogo do inferno, tomara seja escorraçado até mesmo do inferno! Ratinho da Giesteira! O demo que te pariu!Toma o pão que te caiu! Vai pra ponte que caiu! Hu! Hu! Hu! Maldito! Maldito sejas e que nunca encontre paz nem sossego!
(à medida que vai soltando todas essas imprecações e mais algumas, ao gosto da atriz, a Boba vai se dirigindo à barca da Anbja, que está sorrindo com os impropérios ditos pela Boba à Diaba)
BOBA: Ó da barca!
ANJA: Que queres?
BOBA: Não quer me passar para lá, não, heim?...
ANJA: E quem és tu?
BOBA: Não sou ninguém.
ANJA: Tu podes até passar, se quiseres. Tudo porque nunca fizeste mal a ninguém, pelo menos não de propósito. Tua simplicidade te basta para desfrutar dos prazeres celestiais. No entanto, espera aí um pouco, vamos ver se sobra vaga para ti...
BOBA: Esperar, é?... Por quê?
ANJA: Porque pode aparecer gente mais merecedora que tu. E não deves tomar o lugar de seu ninguém. Entendeste?
BOBA: Ôxi!! Entendi, sim senhora!!! A senhora falabonito que faz gosto! Então vou ficando por aqui pra ver se me sobra um lugarzinho aí preu, ora se vou!!!
DIABA (à parte, despeitada): é isso mesmo, o céu só dá atenção aos que são abestados feito essa daí...


C E N A 3
Os mesmos e o Pastor


(Música incidental: “Eu era um bêbado..”. Entra o Pastor. Trôpego, bebendo sofregamente de uma garrafa vazia de pinga, o paletó amarfanhado, a barba por fazer, a camisa de mangas compridas meio fora da calça, suja. Do bolso saem dinheiro, garrafas. Está agarrado a um microfone e fala como se estivesse orando no templo. Música pára. Ele é recebido pela Diaba)

PASTOR: Aleluia! Aleluia! Irmãos! Eu sou o vocalista da banda da minha igreja, a Capital (esfrega os dedos polegar e indicador num gesto óbvio e expressivo de dinheiro) das Loucuras de Meu Deus! Aleluia!
DIABA: Que é isso, pastor? Isso lá é postura, rapaz?
PASTOR: Glória a Deus! Apenas sou um pastor que sabe aproveitar bem a vida, minha filha...
DIABA: E o senhor ainda sabe cantar?
PASTOR: Ora, você não me viu cantando, não, minha filha?
DIABA: pois entra aqui que eu toco direitinho...
PASTOR: Que é isso, minha flha?
DIABA: Tenho uma guitarra quente e faremos uma dupla sertaneja!
PASTOR: Aaahnn.. música sertaneja com rock? Éé.. pode ser. Mas paraonde é mesmo que você quer me levar, heim, sua danadinha?!?
DIABA: Para aquele fogo ardente do qual você nunca teve medo.
PASTOR: Juro pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo que não estou entendendo... E a minha bíblia?.. ela tem o poder ! Glória a Deus!
DIABA: Gentil pastor amigo da cachaça e da farra, vá logo beber com Belzebu, que ele já se prepara para beber no seu crânio podre de quem só se aproveitou da fé alheia!
PASTOR: Ah, corpo de Deus consagrado! Juro pela fé que tenho em Nosso Senhor Jesus Cristo, aleluia!, que continuo sem entender! Como é que euzinho possa ser condenado? (já estou até ficando sóbrio com essa história torta..)Um pastor tão dedicado, tão virtuoso, poderoso, potente, fiel a todas as mulheres da assembléia e sempre com muita saúde e vigor!
DIABA: Peraí, peraí, não vamos mentir que EU sei que isso (apontando para a virilha do pastor) aí já não dá mais conta do recado!
PASTOR: Pois pergunta, vai, pergunta às donas-de-casa que visitavam o culto!
DIABA: Inclusive as casadas?
PASTOR: Ora! As preparadas é que são as melhores!
DIABA: Mas ninguém lá na igreja falava mal dessa sua história?
PASTOR: Um ou outro querendo ser mais correto, mas como eu, existem às dúzias, tudo fazemos com os fiéis em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, aleluia!
DIABA: É, e é assim que muitos fiéis acabam se afastando da fé e vindo parar em minhas mãos; é por terem acreditado em pessoas tão indignas, tão levianas, que cometem pecados e fazem os outros cometerem também!
PASTOR: Ah, minha senhora! Sem sermão, por favor! Como eu já disse, a maioria faz isso; enganamos o povo que se deixa enganar porque é mais fácil.
DIABA: E tu achas memso que um fazendo errado, justifica você também fazer, é?... Nãããão... neguinho, cada um paga pelo próprio pecado e pelos pecados que fez o outro cometer.
PASTOR: Pelo menos, não fazemos como os padres que estão aliciando menores de idade!
DIABA: Mas também não são todos! Se for procurar em cada religião, tem sempre alguém que comete algo errado. São homens pecadores como qualquer outro e que se deixam levar, muitas vezes, pela facilidade do erro. E aí... é que eu entro... recebendo todos esses homens religiosos-só-da-boca-pra-fora aqui, na minha barca!!
PASTOR: Vixe!!! E o julgamento? Não vai ter não, é?
DIABA: Não basta colocar a mão na consciência e ver? Porque uma coisa você não pode negar; um homem da religião deveria ter mais consciência dos erros que comete. E isso é pecado sem volta, pastorzinho!
PASTOR: Me armei e me dei mal... hic!! (tenta beber mais um gole) E o pior, não tenho um só trago para esquecer as besteiras que fiz.
DIABA: Olha, eu não gosto de passar sermão em ninguém; deixo isso para aquela branquela sem graça dali (aponta para a Anja, que a ignora ostensivamente e faz meditação), mas para você, não tem jeito: entra logo aqui.
PLAYBOY: Ei!!! Vai colocar qualquer um aqui dentro mesmo, é?
DIABA: Claro! Não comecei com você, seu pamonha? (ao pastor) Vamos, a sentença já foi dada. Entra!
PASTOR: Pôxa!!! Nem adiantou me esgoelar feito um doido na frente daquela igreja? Só porque sou amigo das mulheres, um bom pastor se perde?
DIABA: Belo pastor! Em vez de resgatar as ovelhas, fez com que elas se perdessem! Deixe de demagogia e entra logo, pastor!
PASTOR: Agora não pode um cristão pensar um pouco na vida?
DIABA: Por que nã pensou enquanto ainda estava vivo?
PASTOR: E um joguinho, heim? A gente podia apostar céu ou inferno, que tal? (tira um baralho do bolso e começa a embaralhá-lo)
DIABA: E quem foi que te disse que eu podia fazer essas apostas? Ora, homem, eu já estou me aborrecendo! Vamos logo, vamos logo, entra, antes que eu perca as estribeiras e te faça engolir a cachaça com garrafa e tudo!
PASTOR: Vixe! E a dama diaba ‘tá ficando nervosinha, agora é?...
PLAYBOY: Ih, meu, até eu já estou com vontade de te dar um sossega leão aí, viu?
BOBA: Anda logo, seu abestado!!! Que porcos da tua laia eu enxoto é com vara (faz gesto de quem está açoitando com uma vara) Xô! Xô! Xô! Vai pra dentro do inferno que tu criou, mosca morta! Vai-te, com mil satanás!
PASTOR: Bem, pelo parecer de todos, é o que eu mereço. Pelo visto, a tantos que enganei em vida, não consigo mais enganar ninguém, nem a mim mesmo...
DIABA(à parte): Ainda aprendo um dia a fazer crochê e relaxar..... (ao pastor) Vamos logo, pastorzinho de uma figa, que eu já estou pensando em aumentar a sua pena! Quanto mais me encher o saco, maior será a sua sentença! Vamos! Se avie, homem!
PASTOR: Bem, já que é a única sentença proferida e que não poderei apelar a mais nada, o jeito é me resignar e ir-me antes que as coisas piorem de jeito por aqui.. Fui! (entra, finalmente)
BOBA: Achou um bom cantinho aí, ao lado desse bonequinho todo encarapitado, se achando o dono do inferno da pedra, não foi, seu pastor de meia-tigela? Canto melhor os está aguardando é no inferrnnno!!!! Huhuhu!!!
PASTOR (tira uma garrafa cheia e bebe um gole, fazendo uma careta horrenda depois): O que é isso?!?.... guaraná?!?...
DIABA: Isso é só por ter demorado a se decidir, me fazendo perder tempo, seu miserável, hahahah...

Baudelaire - o "maudit"

Brasil, década de 70. Isabel Câmara revisita o antigo:
"Quem diante do Amor
ousa falar do Inferno?

Quem diante do Inferno
ousa falar do Amor?

Ninguém me ama
ninguém me quer
ninguém me chama de Baudelaire."
O compositor Antônio Maria sendo misturado com o pai da modernidade, Charles Baudelaire.
Afinal, quem é esse sujeito, esse dândi até hoje não esquecido? Esqueçam a biografia e vamos ao vinho.
Quem nunca sonhou, ao menos uma vez, em deixar aflorar o seu lado negro e alegre? ou afogar-se numa poça suave e distante da embriaguez? ou, ainda, no limbo das drogas? ou no sexo desvairado? Baudelaire não sonhou. Fez.
E sempre nos incomoda aqueles que ousam fazer o que tememos sequer pensar em fazer. E ele o fez.
Pior que cometer um ou todos dos sete pecados capitais, é propagar, espalhar, dizer que se pecou. Baudelaire não disse nada. Escreveu tudo isso em prosa e verso. Para a posterioridade se roer de inveja e fantasiar que "antigamente é que se vivia mesmo!"
O poeta deprê dos sonetos "Spleen" conseguiu encontrar rimas e ritmo sedutor na descrição de "Uma Carniça". Estranho e singular. Mas, até hoje, um dos poemas mais parodiados e quase símbolo na terra da Torre Eiffel ainda é "O Convite à Viagem".
Talvez seja porque ele tenha sido realmente um dos melhores poetas que já existiu. Talvez sua temática melancólica encontre eco nos solitários urbanos. Talvez a própria vida dele nos seja um manual aventuresco. Talvez, ainda, a questão escatológica nos incomode. Talvez ser moderno hoje não passe de uma receita bem antiga.
Mas para que pensar nos porquês do poeta maldito Charles-Pierre Baudelaire, nascido em 1821 e falecido em 1867 ainda causar tanto sucesso?
Basta a certeza de que ele fez e escreveu o que, no fundo, gostaríamos de - um dia, pelo menos - ter feito ou publicad

Ser ou nao ser existencial

Sartre talvez tenha razão: somos nós mesmos os responsáveis.
Você é responsável por todos e por tudo.
Queimadas na Amazônia? a culpa é sua. Culpa por omissão. Mulheres sendo cortadas por um costume bárbaro? a culpa é sua! porque a sua cultura é diversa. Havaianos perdendo as suas tradições? a culpa é sua! sua, por ser um turista bundão alimentando a perda das tradições milenares.
A culpa é sua. Não entendeu? A CULPA É SUA. Percebeu agora? ou vai bem querer que eu contrate o J.J. Marreiro para desenhar, heim?
E agora que você se convenceu de que a culpa é sua, saiba: existir é um ato responsável. Os irresponsáveis deveriam ser elogiados por tentarem escapulir do inexorável. Os suicidas deveriam ser facilmente compreendidos por não tentarem ser super-humanos carregando todo o existir sobre suas cabeças. Os eternos adolescentes deveriam ser invejados por sua resistência em aceitar o inevitável fardo.
Porque a partir do momento em que se assume que se existe, assume-se a responsabilidade. É um pacotaço. Indissolúvel.
Obviamente que não assumir o encargo que todos esperam seja assumido refletirá em mau-grado que os demais terão em relação a essa atitude - ou antes, falta de atitude.
Crer em Deus é uma coisa. Culpá-lo por tudo é outra. O verdadeiro ateu não condena a crença em Deus, mas vive sabendo que a civilização é sua culpa e que não poderá culpar mais ninguém.
Mas - ah, debilidade humana - quão cômodo pode ser o se assumir crente de uma força superior. O mundo todo é transferido para as potentosas espáduas de um Atlas qualquer.
E nesse passo contínuo, só temos a certeza sartriana de que "o inferno são os outros". E mais: de que cada um escolhe o próprio papel a desempenhar - o de ser ou não ser existencial.

Vida cão

Sorrisos fáceis, as meninas passam nas ruas. Coxas expostas, os olhos medem a luxúria sacudida pela brisa noturna. Água de coco? Vixe! não tem nada mais forte não? Quer chupar meu pau? Vixe! não tem nada mais forte não?...

Cachorros viralatas se estranham nas calçadas, brigando por uma mesma cadela. Vadia. Jura que não é com ela.Quem diz que o vencedor a leva? Ela escolhe, cara. Éela quem escolhe, sabia? Ela.

- Aquela putinha preferiu o gringo. Safado! vai ver também é boiola! Todo estranja gosta dessa coisa de dar o rabo... Puta! Puta! Puta!...putinha gostosa. Danada! preferiu o gringo só pelos dólares. Tem nada não. Quando ela voltar (ela sempre volta), vai se ver comigo, ora se vai! queimo os dólares dela tudinho só nas bocas. Cheiro tudo. Vou enrabar o feladaputa do gringo por tabela. Vai que ele gosta... Sei lá! Será que ele vai comer o cu dela? Mas eu sou mesmo um filho da égua! Quem mandou se engrançar com uma zinha daquelas?Cachorra. Cachorra vadia. Quero ver só ela chorando depois que fizer uma plástica na cara dela. Quero só ver.

Cachorros acoplados fogem das pedradas, em ganidos de dar nó nos ovos.

O desfile continua. A vida se escorre. E tudo permanece idêntico, como um quadro de Dali.

A quem nunca me viu

Sei que apesar de nunca er sido visto, meu coração pulsa por ti.
Sei que apesar de nunca termos nos falado, meu corpo anseia pelo teu.
Porque não somos estranhos, somos metades de um mesmo processo; somos cúmplices desta estrada, clichê de tantos rumos perdidos.
Por que as pessoas só pensam em amar umas às outras quando se vêem?.. só crêem em seus sentidos e em seus pensamentos turvos.
Não conheço você, mas quero amar.
Simplesmente para me sentir melhor, pois que sou capaz de amar sem ver.
Às vezes, não enxergar é ver o que os outros não vêem.

Panis et Circus

O ônibus atravessa esta manhã chuvosa de segunda-feira. O Brasil é pentacampeão na Copa do Mundo. E os passageiros se entreolham meio que ressabiados: acaso salário mínimo agora é penta? Neca. Eles, brasileiros em geral, torcemos angustiadamente pela vitória. Mas o que isso mudou no cotidiano?

Passada a folia, a certeza da dívida feita pra comemorar e bebemorar melhor o penta. E o que se ganha com isso?

A natureza faz eco à taciturnidade desta segunda-feira. Verde e amarelo esquecidos no saco de roupa suja. Quando usá-lo outra vez? Quem sabe a 7 de setembro. Não sejamos românticos quando temos que lavar a roupa suja.

Brasil - ame-o ou deixe-o.

O circo globalizado que foi montado nos agradou em cheio. Mas cadê o pão de cada dia? Onde?

Ah, tudo bem! Afinal, somos penta.


Dane-se o pão, que, eletrizados pela euforia do circo da copa, estamos aparentemente bem e nos sentindo os melhores do mundo.

Ainda que estejam os transeuntes, a grande maioria em preto e azul, ninguém grita "90 milh]oes em ação/ Prá frente Brasil do meu coração".

Porque, apesar de campeões no circo, ainda nos falta o pão na barriga.

(Tetê Macambira, em 05 de julho de 2002 - publicado originalmente no site Usina das Letras)

O que é Corpus Christi?

- Então, está bem: amanhã vai ser feriado.
- De quê?
- De quê, não, de quem... é dia de Corpus Christi.
- De quê?!?...
- De... ah, deixa pra lá!
- Não, eu só queria saber para passar direitinho o feriado, sabe como é?
- Não, não sei. Como é que é isso?...
- Assim, ó! Se for feriado de um santo, eu acendo uma vela para ele não ficar com raiva de mim, tipo assim: pleno dia dele e eu indo pra praia me tostar um bocado...
- Sei....
- É! E se for dia de pátria, bandeira, essas coisas...
- Cívico.
- O quê?
- Cívico. Feriado de datas cívicas.
- E o que é isso?
- Você não sabe o que é civismo?...
- É de ser civilizado, não é? parece! O professor de português tem ensinado pra gente esses aloformes aí...
- Alomorfes.
- Isso mesmo! Então,deu certo?
- Deu certo o quê?...
- Oras!!! Civismo é quem sabe ser civilizado com o outro, ora mais!!!
- E o que é ser civilizado?
- Ah! isso eu sei! É ser gentil, saber dizer obrigado, por favor, ...
- Obrigada.
- De nada.
- Não! eu estou dizendo é que, como você é mulher, tem que dizer Obrigada.
- Ainda tem isso?
- Para você ver...
- Como ninguém me contou nada disso?
- Os seus pais nunca te disseram isso?
- Não! eles não são cê-dê-efes como os seus!
- Ei! meus pais não são chatos não, senhora!
- É?!?... então vai dizer que você não sabe o que é civismo, heim?....
- Hum?!?...
- Vamos lá, você que sabe tudo!!! O que é civismo?
- Chabe que eu não chei?....
- Hã?... não sabe?...
- Hum - hum...
- Não tá dizendo isso só para eu não me sentir uma burralda?
- Nada! se eu soubesse, você sabe que eu contava mesmo!
- É, lá isso você faria...
- Pois.
- Mas, e agora?... como vou saber qual o civismo do feriado de amanhã?
- Heim?
- Então! Para eu saber o que tenho de fazer e ficar com a consciência limpa! Sabe, aproveitar o resto do dia...
- Mas amanhã não é feriado cívico!!! (seja lá o que isso for) Amanhã é feriado religioso!!! É dia do Corpo de Cristo!
- Ahhhhhhh.... então, vou acender uma vela pra ele, né?...
- Vela?... Não seria melhor você visitá-lo, lá na igreja?
- Visitar?
- É, amanhã é dia de ir visitar o corpo de Cristo na igreja.
- O corpo?... do Cristo? Você quer dizer , daquele Jesus Cristo?...
- E tem outro?
- Mas.. e o corpo dele não está assim, já todo podre, heim?...
- Claro que não é o corpo dele mesmo, menina!!! É uma estátua de Jesus Cristo!
- Uma estátua?... e eu vou ter que ir visitar uma estátua de barro?
- Bem, eu não sei se as estátuas são feitas de barro, mas é por aí.
- Que graça tem visitar uma estátua? não é melhor acender uma vela pra ele e deixar a estátua dele em paz?
- Pensando desse jeito...
- Além do quê, na Bíblia não diz que não deves adorar estátuas?
- Ídolos.
-Ídolos, estátuas, a mesma coisa! Então?... Acendo a minha vela bem consciente e vou à praia me bronzear.
- ....
- Você não queria vir comigo?...
- À praia? com você?
- Lógico.
- Legal! pensei que você não fosse me convidar nunca!

(Tetê Macambira)

Sonhando

Acordei suada.

Voltei ao travesseiro.

sonhei você,

meu passado,

meu presente,

meu futuro.

Você-passado imponente e poderoso

Você-presente meigo e doce

Você-futuro pai preocupado

magia.

nem que passem todas as encarnações do inferno

nós nos deixaríamos de nos reencontrar.

você é meu, meu tempo meu sonho meu semideus.

não meu tudo, mas a minha mais que metade

meu doce e ternura face, encanto e paixão.

ilusão?...

Nunca. Porque sei que estamos juntos

uno summus.

União.

Belenzando

Belém é mistura de sons gostos e cores

o sino na basílica embelém lém lémza a virgem

os tacacazeiros em torno da praça

aquecem o tucupi a goma o jambu o camarão

cuia quente em tardes quentes mormaço

morenos acaboclados ou cablocos amorenados?

não tem cor a cor do pecado santificado

meninas desfilam pernas meninos se regalam

que a beleza tem hora e cheiro e cor e belém lém

ahhhhhhh........ Belém.... Belém do Pará

Nem parnasiana nem simbolista apenas bruma

poesias puras nos rostos impuros de raças mil

como lusas, minha Belém, ao mesmo tempo

em que indias e estrangeiras-te moderna?...

Cearíbas aportando em praças ruas esmolas

são estrangeirismos piedosamente anacrônicos.

Tantos falares murchos pelo sotaque luso

Belém círio abençoando o norte de nós todos.

Aqui & Agora - prefácio

Estou só.

Estou só comigo e com meu amado que está longe em viagem.

E o momento me é propício

para o escrever-exercício,

rimas naturais e pobres vêm

chover na linha do meu trem

da minh alouca imaginitude

dança desvairada magnitude

- Pasta bela bela pasta

não sou Bandeira mas quero

o meu caderno numa pasta

para meus escritos esconder

bem escondidinhos - à vista.

E continuam os rabiscos

que meu fluir é solitário

(quero ir agora para Ontário!

- pois esta rima não me pegou?!)

Brincadeiras e sonoridades à parte,

queira a poesia dar-me esse aparte

de me explicitar onde diabos ela, a poesia, se enfiou?!?...

Tetê Macambira

Aqui & Agora, 12 abr 01

Eu, Poeta

menina moleca que brinca em gerúndio

vai, faz teus versos, garatujas rabiscadas

e finge que são lindos poemas.

canta teu imo, teu lixo, o lixo, o ritmo

e expõe na net na rede na frente da gente.

Gerundia para que poetisar não seja particípio.

Vai, continua, infante amadurecida!

Tetê Macambira

Aqui & Agora, 12 abr 01

Brincando de Poeta

Vou riscar uns versos aqui e agora

em duas estrofes de vento em demora

e se a Deusa (abaixo esse tal machismo

medievalesco de um deus masculino)

permitir que as tágides de Camões

inspirem poema; poema não!

que de versos brancos e livres é,

poesia de momento e cafuné

carinhando palavras conhecidas,

minha Nossa Senhora Aparecida

valei-me e zelai-me nesse ofício

que acho que começo sem malefício:

estou brincando de poetisar;

se ao menos eu soubesse rimar,

poderia uns decassílabos terminar,

emparelhando rimas de par em par,

faria bonito o pérfido tema

e me desobrigaria esse anátema

metalingüística função poética

tentar explicar o que não tem ética.

Eu já rabisquei meus vinte versos

com o fim próximo,

adeus sem remorsos.

(Aqui & Agora, 12 abr 01)

Quem sou eu?

Ler meus escritos? Leio.

divulgá-los?.. como?

... se meus escritos são riscos

se são meninos traquinos

que evadem-se numa nuvem?

Divulgá-los para quem?

o que rabisco não passam de sentimentos,

bobeiras cotidianas de uma vida simples.

Não sou nenhum Antônio Filho

nem Uirá dos Reis

muito menos Gero

mais longe ainda de um chico Miranda

nem pensar um Túlio Monteiro ou um Aníbal Beça...

Manuel Bandeira, então!!!

ai, ai ....

quem sou eu, minha virgem Maria?

Abril

Abriu minhas pernas em pleno abril

e quando me fiz pura e rogada, riu

queria me ter como eu fosse um abiu

.... sumarenta e doce e pegajosa carne

mas o que teve foi um súbito pavor, corou

de si mesmo e lépido meu escravo se tornou

queria ser açoitado por meus pelos. Chorou

.... copiosamente lento sem fazer alarde

o meu amante terníssimo teve um momento

claro e de compreensão, sem um lamento

fizemo-nos iguais e aliviou nosso tormento

.... amar não é só ter, é tudo que arde.

Anacoreta por vocação

E o meu sonho de ser anacoreta?

sonhava sê-lo plena e intensamente

apenas pelo embalo do som de suas letras e sons...

o seu significado não o conhecia

e, para abusar da sinceridade, tampouco queria conhecê-lo.

Mas, e o meu sonho de ser anacoreta?

Que fato nada triste mas melancólico teve?

Demorei a autodenominar-me anacoreta por demais

que, por um acaso infortuito, deparei-me ante o vocábulo..

... e seu significado.

Ó velha mania de vasculhar dicionários!

fuço-os em intenções plenas lúbricas e santas

às vezes me saio com tanta satisfação imaginada,

outras..., nem tanto.

o meu sonho de ser anacoreta?

pois que agora estou feliz! de lídima!

imensa e inenaravelmente contente,

sabendo que as pilhas da minha memória gastas se encontram

e me fizeram o favor de obliterar apenas o significado,

restou-me o adjetivoso significante a-na-co-re-ta.

Declaro-me, destarte, anacoreta por vocação!

Mas, atenção!

E se, quaisquer um de vós souberdes o que isso implica,

eu vos peço, olhos no Aqui e Agora, poupai-me, ó mortais!

Poupai-me, que sou anacoreta sem sabê-lo,

sou anacoreta por vocação!

Aqui e Agora, 12 abril 2001

Minha poesia é uma imensa oração subordinada adjetiva explicativa

que, subordinada à Poesia principal, tenta qualificar, com adjetivos e locuções adjetivas, explicando todo o risível.

Ao meu bem-amado

que o vinho é vermelho quase negro

e o meu coração cordis cor ébano

saiba que é todo teu o meu afago

o eu carinho meu vinho meu lábio

quero-te mais que meu cálice

meu ébrio meu seio másculo

meu vinho em tá, não lá

Ta ... vinho... meu bem-amado por mim.

(08 de maio de 2001)

Vermelho-paixão

Menina-moça ainda (que termo mais acertado e tão em desuso!!), eu não desejava ter cor preferida, pois que eu temia o vermelho. O fogo, a paixão, a violência do vermelho me fascinavam, me assanhavam e ao mesmo tempo me assustavam.

Aceitar o vermelho como paixão pessoal talvez tenha sido um dos meus primeiros atos de amadurecimento, pois que reconhecendo em mim uma apreciadora do escalarte, eu aceitava intrinsicamente eu mesma, um lado meu secreto e não desenvolvido, não desvendado...

E fui tratando de usar essa cor: objetos, cadernos para escrever minhas linhas poéticas ou não, às vezes uma ou outra roupa.... o vermelho foi pintando gradativa e definitivamente em minha vida.

Se tudo o que faço ou tenho hoje é vermelho??... mas não, ainda tenho a decência de usá-lo com moderação. É uma cor que requer cuidado do usuário, carinho e atenção sempre.

Um vestido curto, decotado e vermelho-sangue?... nem pensar. Um longo, suave fenda única e lateral, meio solto, numa carícia de seda.... sim! O charme e a elegância devem ser cultivados também em vermelho.

Interessante: às vezes ficamos com medo de escolhermos isso ou aquilo para não sermos vulgares. Mas tudo, na vida, é uma simples questão de escolha e equilíbrio com a adequação pessoal. Saber ser feliz é aceitar até que a sua cor predileta seja uma tonalidade tão berrante quanto o meu amado vermelho vivo.

Corpo cigano

Dispa minha saia com balangandãs

dispa minhas máscaras de maquiagens e costumes torpes

dispa minha alma meus medos e receios

que só então estarei pronta para te amar quase que totalmente...

porque aí, então, serei eu que terei que despir-te de todos teus vícios e maus costumes....

Na hora de se apresentar

Barulho. Conversas.

O mundo lá fora chega

em sons indistintos

uma repentina risada

Medo em nós.

e se não nos apreciarem?

e se não nos aplaudirem?

Relaxemos, nada de stress.

Respiremos fundo.

Reencontremos nossa criança interior - Onde ela?

Respiremos pau-sa-da-men-te

(Lá fora, um gritinho acutíssimo: aaiiiiiiiiiii....)

QUAL RELAXAR!!!!

Pavor agora.

lágrimas de terror afloram no coração

vontade de fugir ânsia de começar

Branco. O TRAC.

Ai-Zeus-e-todos-os-deuses-do-Olimpo

Acudam-nos, musas do Parnaso ou não!

P a l m a s

É hora.

Entramos em cena.

Sublimamo-nos em arte.

A platéia nos recebe

Rejubilamos-nos, palmas para todos.

Ser poesia

Escrever é solitário.

As palavras são tão tímidas,

surgem somente se nítidas

encontrarem mente lúcida

permitindo-se, então, trágica

e tiranicamente ser.

- ser a si mesma P o e s i a .

Palavras poética

um pouco melódicas

quase nada rítmicas

pretensas harmônicas

poesia em música.

- Toque seu violão para me acompanhar!

A Poesia quer existir.

Início de madrugada

Gastar tinta e papel

- Praquê?

Só eu tão só de madrugada

com meu fiel material

Sons carros vozes gritos noite afora

escondidos anseios receios preceitos

A descarga é acionada.

Onde?

Uma porta é fechada.

Só a porta?

Barulho. De novo.

Mais um carro.

Forró (detesto forró!)

Reencontro

Chocolate meio-amargo

Gastar tinta e papel

Noite adentro

dentro dessas paredes

dentro de mim

Assim inicio uma madrugada

sábado solitário em casa:

Gastando tinta e papel.

Letras

Sem pensar.

as letras me vêm sem pensar

é de luta, é de Letras

é de pensar semiótica

lida meio hipnótica

Uma tentativa ritmo e rima

Frustração de versos e balada

minha novela enovelada

Palavras que simplesmente vêm,

sem pensar.

Não escrevo poesia

Não escrevo poesia,

apenas traços torturados

por qualquer caneta em minha mão

se expõem impudicamente

em qualquer pedaço de papel por aí.

Não escrevo poemas.

Não tenho porque jogá-los ao vento.

Amigo de papel

Adoro escrever.

É como ter um amigo,

Um confidente, um colo amigo por perto

quando se precisa

Escrever é tornar-se amigo de si mesmo

Escrever é saber acarinhar-se

sem se magoar.

Novidade

Por que palavras banais,

e já tão conhecidas,

por que não inventar a raiz

de uma nova língua?

Poderia dizer,

ao invés de

amor sem fim,

terrifinitim.

caminho sem volta,

tombacancerolta.

e tantas mais outras...

Palavras novas!

Não pode ser uma boa idéia?

Só que ...........................................

............................................... será

que você me entenderá

quando eu disser chaponará?

(ou seria melhor: Eu o amo?)

Não faço poesias

- Quê?... escrever poesia?...

não...

quê? essa pasta rosa?

política? ah, não!

apenas... alguns traços garatujas

Ler?... pode, sim!!!

(...........)

Não! isso não é poesia!

Apenas percebo mundos, retrato com palavras

aquela menina chorando

a vovó pedindo esmola

o aleijado trabalhando

crianças cheirando cola

putas fugindo da polícia

a flor pisada pela milícia

o verde violentando o muro

a ternura da esmola dada

o calor do abraço materno

travecas de minis levantadas

tristes travecas com silicones a mostra

o olhar de piedade desviado

a menina se prostituindo

o lindo pôr-do-sol

o esperado nascer da lua

a praia murmurante

um casal de namorados

o batedor de carteiras

um flanelinha maltrapilho

a propaganda colorida

bugigangas mil a venda.

Tudo é realidade.

Tudo é Poesia.

Eu não faço poesia,

apenas sinto a realidade.

Pleno

terra tão cheia tão repleta

que fica aqui um sabor de saudade do desconhecido

mar tão aberto tão certo

que fica aqui um paralelismo absurdo

você tão longe tão perto

que fica não aqui - pena! - mas ali um sentimento pleno.

Pleno de você, saudades de você.

Dúvidas

Escrever?............

Rabiscar!!!

Viajar????

Curtir!!!

Amar???????

Claro que eu amo você!

Eu, pedaços

Tem vezes que me perco

em incontáveis momentos

na seção dos achados

Sou tantas em uma só

que me achar por inteira

me faz metamorfose mutante

gata pantera bruxa gente

Tantas inúmeras que não me conheço.

Pintar e acontecer

Escrevo, pinto e faço,

logo nada mais que logo,

resolvo desfaço descaso.

E daí?

O papel não é meu reinado?

A caneta não é meu súdito fiel?

E eu, não passo da mensageira

incerta das musas do Parnaso?

Escrevo pinto faço.

Eu, instrumento poético

Sinto-me um objeto poético; sou apenas o instrumento da poesia, não passo de um artífice, um construtor da poesia.

Não sou nada quando a Poesia me vem, nada a não ser a pena.

A inspiração me vem arrastando, me chega... não! não me chega, mas me invade caudalosa enquanto o motivo para a Poesia... ah! é tudo o que vejo, o que ouço, o que cheiro, saboreio e toco. E, principalmente, o que sinto. E nesse momento, ela esplende em mim... rubra e incandescentemente contrária a si mesma.

Querer negá-la? Já o quis muito, mas... quedê coragem, se é ela quem dá o hausto ao meu café-com-pão? se é ela quem me faz ainda acreditar no homem?Como, como abandoná-la sem me destruir? Pois que ela agora é a minha simbiótica criatura, da qual tanto já me habituei que tornou-se meu combustível e meu vício.

Ademais, por que fazê-lo, se com Ela estou eu comigo mesma? porque sem ela, nem me reconheço enquanto companhia solitária.

Ela, a Poesia, pode não ser tudo, e no entanto é tudo o que preciso.

Receitas de Haicais

1

Alternam-se as quintas

A segunda rima à sétima

- A soma no fim


2

Pensamento vão

Pinta-se o oriente em cantatas

Um haicai na mão.


3

Trio de versos sós

Na mente, idéia em semente

Haicai em fruto, pois.

Pensando num Verso

O verso da vida me traz um reverso no âmago do ser

e já não sei mais por que poetificar com o tijolo duro da palavra

Se, no inverso das coisas a poesia é a palavra que não se cala

Então, talvez, um verso diverso seria um mudo apelo estático

Mas que dizer das conversas em que eu com versos com outros?

apenas um exercício natural de poetizar a poetisa poética?

Se nem mais que versos o universo me faz versificar,

como explicar-vos os versos que pensei pensar?

Sabendo que um verso apenas pensado não é de fato uma construção poética.

Apenas um sonho ... ilusão.

Verso de verão.

Título

A poesia da minha vida não tem título

A minha depressão básica gerada do ócio,

O desencanto da magia originado pelo tempo,

A lista cada vez menor dos amigos que permaneceram

não tem título, tampouco.

Por que importa pôr título

na poesia que rabisco,

tentando raptar um instante,

um tri desse momento?

Talvez, para ter a sensação

de que, pelo menos, em alguma coisa,

eu decido o título que pôr.

É pouco, eu sei.

É quase nada, tenho certeza.

Mas á a única opção que me resta:

intitular estas linhas.

Aqui & Agora - explicação

Aqui & Agora não pretende ser livro;

amontoado promíscuo em versos brancos e livres

exibindo-se impunes na rede

apresentando tudo o que se vê

- ou quase.

Sensorial satisfação sem somenos

Somente célere o meu sentir

Aqui & Agora,

explico,

são vocábulos sofísticos que buscam se interpretarem.

Apenas o escrever,

Aqui

&

Agora.

Poema para Poeta

Existe um poeta

dentro de você!

Coitado!

Tão escondido e calado!

Por que você não o solta?

Ele deseja se balançar,

dançar,

ao sabor do vento que vai e volta.

Você não sabe que ele gosta do mar?

e nas vagas brincar,

pular,

e com as sereias namorar.

Ah! e na natureza, então

ela, tão generosa,

e vaidosa,

faz o seu poeta entrar em ação!

Sei que mora naquela selva de concreto

Um poeta que é amante,

o bastante,

para repudiar seu cárcere preto!

É engraçado o que Poesia faz comigo

É engraçado o que Poesia faz comigo:

brinca

dribla

se anima

e não me deixa num canto

só sai de perto de minha alma

quando converso com ela até a exaustão

Engraçado o que Poesia faz comigo:

me vem me fica amiga me "liga"

súbito expande-se explode

implode-me

e num suor transpiro um pouco de mim

de ti, de tudo, soturno noturno

O que Poesia faz comigo:

esquece que sou mercenária

me faz virar mecenas

num átimo minha pedra vira coração

meu vazio ganha um colorido de alma

e espanto em perceber-me humana

não mais a andróide jovial inconseqüente

Poesia faz comigo

o que não deveria acontecer nunca.

É o que Poesia faz comigo sempre

não me deixa máquina transformar-me

auxilia-me sempre a ser vulnerável

descobrir sentimentos bons emergindo.

Jamais me tornarei um ser isento de emoção.

É engraçado o que Poesia faz comigo.

21 horas

A música toca indiferente

Tensão no ar.

São 21 horas e tenho que sair

As letras se embaralham, brincam

e o poema que quer sair se perde

neste emaranhado de obrigações cotidianas.

São 21 horas e 10 minutos

e um show uma performance

uma exposição uns amigos me aguardam

enquanto brigo com os sons não-ditos.

São 21 horas e 15 minutos

e o suor poreja na nuca abafada

a impaciência dilacera minha aflição

e já estou mandando o poema voltar,

guardar-se para uma outra hora.

São 21 horas e 20 minutos.

TENHO QUE IR !

Quando se é adolescente

Quando se é adolescente,

tem-se problemas morais

tem-se incompreensão geral

tem-se acne e depressão.

Quando se é adolescente,

veste-se diferente de todo mundo

sendo-se iguais entre si

é-se ridículo se achando o máximo.

Quando se é adolescente,

come-se demais ou de menos

conversa-se demais ou se ensimesma

vive-se depressa ou rápido se mata.

Quando se é adolescente,

tem-se todas as ilusões

tem-se todos os medos

e tem-se a mais difícil das etapas,

porque se é adolescente.

Produto final

merda.

Merda.

M E R D A !!

ah..... vocês prestaram atenção?!...

vocês me ouviram, foi...?...

É que todo mundo sempre se incomoda

quando a gente fala só no produto final.

Ou seja, na m-e-r-d-a.

Vamos?

Poesia de circunstância:

- Vamos embora mesmo?

- Vamos.

- Então, vamos!

- Peraí. Deixa eu terminar.

- Terminar o quê?

- Esta poesia.

- Que poesia?

- Oras! cada momento é uma poesia.

Viagem além da imaginação

Vamos viajar.

Pegue suas mãos de lavoura,

seus pés nas estradas,

seu sorriso esquecido

no fundo da gaveta

seu olhar perdido

no além do poente

seu sexo alijado

pelas não-felicidades

e sua alegria perdida

na última bebedeira.

Vamos viajar.

Basta você se encontrar.

Vamos?

Canção Suada

Vento, suor, poeira...

Conseqüência da vida,

do progresso,

Essa tal máquina

de frustração.

Vento, sour, poeira...

" - Maldito! Raios!"

O despertador

assinala mais um dia,

mais uma batalha,

" - Maldito! Diabos!"

Acordo, mau humor

" - Que tudo se dane!"

Minha rotina, a qual

é outra máquina:

" - Vá pro inferno!"

Passos frios,

" - Este tempo!"

Mente vazia,

Rostos duros,

" - Chegarei atrasada!"

(Vento, suor, poeira...)

Eis a hora

tão esperada

" - Até que enfim!"

O café, cigarro,

tristes assuntos

" - Morreu fulano tal..."

Vento, suor, poeira...

Conseqüência da vida,

do progresso,

essa tal máquina

de frustração.

Vento, suor, poeira...

" - Ufa! que semana!"

Água divina

role sobre mim

eternamente...

" - Uau! que bacana!"

" - Uaaahhh... vou dormir......"

Cama, celeste repouso,

seja o meu pouso

de um doce sonho

" - Que... zzz... so...zzz... no... "

E eis mais uma semana

acabada, finda...

para recomeçar

na segunda-feira

da crucificação de todos nós.

Vento, suor, poeira...

Conseqüência da vida,

do progresso,

essa tal máquina

de frustração.

Vento, suor, poeira...

Apenas um erro

Apenas um erro...

ouvir quem não se deve,

prestar atenção no que não merece,

falar antes de ouvir,

reclamar antes de entender,

brigar antes de conversar.

Um erro que faz sofrer.

Culpa posso ter por ter errado.


Local de origem desta poesia: http://www.notivaga.com.br/rssquentinhas.asp?uid=3045

Mas qual culpa por querer perdão?

Apenas um erro...

como poderemos esquecer o passado

por apenas um erro meu?

( e pelo qual me desculpo)

como poderemos esquecer o futuro

por apenas um erro meu?

(ainda poderemos viver muitas coisas...)

E, como poderei não ter-te a meu lado,

se teu tudo ainda está vivo em mim?

Perdoa-me... pelo menos, por

apenas um erro.

http://www.notivaga.com.br/mpa.asp?autor=Tet%C3%AA+Macambira

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Feliz Dia do Amigo






Porque escolheram dia 20 de julho para ser o Dia do Amigo, eu não sei. Mas dá a chance de agradecer aos poucos e maravilhosos amigos que conquistei nesta vida.

Como costumo dizer, Meus amigos são meus amigos apesar de mim.

São pessoas que conheci nas mais diversas realidades, nas mais diferenciadas experiências, nas mais complexas situações, nas mais épicas circunstâncias, nas mais prosaicas confusões e nas mais divertidas configurações. A forma como as conheci, realmente não importa.

O que importa é que, quando me sinto só, "só de não ter jeito", há sempre um amigo com quem eu possa contar, alguém que vem para me dar uma boa sacudida ou mesmo um colo temporário.

Gostaria de enumerar os amigos aqui, mas simplesmente não tenho como. Citar nomes e correr o risco de que, com a minha memória "privilegiada" da era do cobol, esqueça alguém de fundamental importância na minha aprendizagem e vida, não pareceria justo.

Basta dizer que são minha família escolhida. São eles que me refrigeram o cotidiano. A eles devo, muitas vezes, a minha sanidade.

Imaginar um mundo se amizades seria criar na mente um mundo doente ao extremo. A amizade é o que faz com que insistamos em crer na nossa prórpia raça e teimemos em vivermos enquanto uma sociedade organizada.

As amizades salvam vidas, a cada instante.



Tetê Macambira

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Teu Olhar




Lá ia eu, toda toda me achando a dona da situação, mas nada!


Olhei, vi.... Encantei-me. Fazer o quê? Precisa de aviso prévio para se apaixonar? precisa, acaso, de nota fiscal? Gostar é o sentimento mais tranquilo que há; basta aceitar que se está apaixonado. O que isso significa? que se está vivo, que se respira, que o coração ainda pulsa; "o coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você" . Bem que me quis te ver encabulado, mas... ah.... o jogo se me virou e foi bem-feito para mim.


Esse teu olhar... ele existe, sim! e deixou-me à mercê do vento que passa, da música que soa não sei de onde, da estrela que explodiu-se numa supernova, ... não dá para explicar bem. Que olhar é esse? Sensações mil de que não me dei conta, digo, não consegui ordenar tampouco controlar.


Uma primeira sensação é a de alguém que entra, como se dono sempre fosse, dentro da gente e começa a revirar displicentemente toda a nossa biblioteca interior, folheasse o nosso mais secreto livro - mas sem ser invasão; parece mais um direito recém-conquistado. Depois, faz com que a gente lembre do primeiro vexame com o sexo oposto (que no meu caso foi ridículo, já tinha 14 anos e quando o gatinho, coleguinha lá do clube, encontrou-me - por acaso - no cine Olympia, no meio da sessão, pediu-me em namoro. Eu não sabia o que fazer. Queria muito dizer sim, mas de que jeito? chamei a minha colega e fomos correndo ao banheiro onde tive uma crise nervosa de riso ;gente, que vexame!!!) - pois foi assim que me senti de súbito. não conseguia mais encarar nem ninguém nem mais nada. Fugir - onde? (vontade mesmo era de me enterrar em teu pescoço por baixo dos teus cachos).


Teu olhar seduz, conquista, tranquiliza, bouleversa todo um microcosmo pessoal.


Isso é covardia! Eu nao contava com esse teu armamento.


((mas...))





(Tetê Macambira)



Foto: Um C por Ti
Autor: Hugo Tinoco
(para visitar a galeria virtual desse fotógrafo, basta clicar sobre o nome dele)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Passo-a-passo




1 - Ver, de relance. Não saber porquê, mas gravar a imagem vista no fundo mais fundo da própria retina.
Talvez que seja uma empatia.


2 - Sentar ao lado - mesmo que inadvertidamente, sempre é uma boa chance de travar relações com alguém.
E ficar sentado sempre é mais confortável que em pé debaixo de um bruta sol.
Ou sob um pau d'água.


3 - Fazer algo juntos - na hora que for para selecionar parceiros, escolher quem mais te interessar conhecer mais. Surpresas podem advir.
E a produção terá o tom do quanto foi bom o trabalho.


4 - Encontrar-se - mesmo que por motivos alheios aos dois, apenas um motivo para se ver.
Encontrar, ver, sorrir, brincar - tudo é válido.


5 - Declaração - mesmo que feita sob pressão, mesmo que assuste; por que temos tanto medo de expressar nossos sentimentos?
Mesmo que não seja correspondido; o sentimento ainda persiste.


6 - Acariciar - ....


Precisa mais?




Seis passos para que se aproxime do objeto da paixão.
Vale a pena. Cada momento.


(Tetê Macambira)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mabel





by Fernando Lima

aparentemente dócil e de humor levemente alterado, a iguana Mabel conquista o leitor com suas pequenas reflexões sarcásticas. E melhora! mais à frente, Mabel adota umr ato de laboratório e um ornitorrinco. ^_^ Coisas de Fernando Lima (eu, particularmente, adorei - amooooooooooooo ornitorrincos; depois dos dragões, claaaro!!)

Para acessar as tirinhas no site do Armagem Hewrética, basta clicar sobre o título. Boa diversão!

Lucy & Sky



by J.J. Marreiro. Humor meio ácido, não moço? hehehe,,,

Para acessar as outras tiras da dupla "Lucy & Sky", basta clicar sobre o título desta postagem. Divirtam-se!.... assim como eu. :D

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Tiau




Autoria do desenho: Fernando Lina
Título: Tiau
Inspiração: Miércoles, minha primeira personagem vampira de RPG. ^_^ (é, faz tempo...)

Com o coração nas minhas mãos





Tive que fazê-lo.
Doeu.
Nele.
Em mim.
A sensação de ter o coração dele
sangrando em m inhas mãos
não dá aquela pretensa sensação de poder
nem tampouco nenhuma vingança
- nada disso.

Dá é vontade de correr atrás dele e soldar com beijos o coração de volta no peito.

(mas isso já não me cabe fazê-lo; não mesmo)


(Tetê Macambira)

Decisão




Uno summus - diz a inscrição
que há um decênio carrego no anular
(digo, carregava)

Somos um só - é a tradução
que nossas almas irmanam em uma década
(digo, irmanaram)

Retiro essa aliança - é o gesto
que ora faço, dez anos depois.
(mas valeram a pena.)

Tetê Macambira

Sempre dói




Olhei-me no espelho.
Pensei em ti. Meu olho não mais brilhou.
O riso não mais se me abriu, fácil.

Antes, entristeci os cantos da boca,
verti uma lágrima dorida.

Ainda restaria alguma dúvida?
Dói - mais ainda ser eu quem tenha que fazê-lo.

Mas acumular dores e não flores
nunca foi do meu feitio.

Choro, sim.
Preferível a ficar me roendo por dentro,
como um câncer da amargura no coração.

É hora de te dizer adeus.
(ou, talvez, tiau - que o amor de antes ainda vale uma bonita amizade)



Tetê Macambira

Separação

Ter que separar




Pensar
Refletir
Decidir

Ir conversar

Ouvir
Dizer

Preparar o coração.

Dizer "tiau" sempre dói.


Tetê Macambira